Rumores de protestos em frente de batalhões preocupa população

Pedro Conforte
Augusto Aguiar

Impedir que policiais saiam de seus batalhões, num ato de protesto semelhante ao que está acontecendo no Espírito Santo. Seria isso que estaria organizando um grupo de parentes dos militares do Estado. Os familiares estão se organizando por redes sociais, como forma de cobrar o pagamento do 13º salário, do RAS e de metas alcançadas em 2015, devidos aos PMs. Pelas redes sociais circulou na manhã de ontem que a data marcada para o protesto seria na próxima sexta-feira (10). Em função do regimento interno, os militares não podem fazer greve.

Um comunicado que vem circulando por uma rede social diz que “o objetivo é reivindicar o pagamento do décimo terceiro salário do ano passado e de todos os extras feitos pelos policiais – como plantões no Regime Adicional de Serviço (RAS) durante as Olimpíadas e no Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis) de outubro, novembro e dezembro de 2015”.

Até o fechamento desta edição, nem a Secretaria de Estado de Segurança nem o comando da Polícia Militar se posicionaram sobre o suposto protesto. Desde a sexta-feira passada, a cidade de Vitória e outras localidades do Espírito Santo estão sem policiamento nas ruas e familiares de policiais militares estão dificultando a saída de viaturas como forma de protesto. Nas manifestações, eles reivindicam reajuste salarial e o pagamento de auxílio-alimentação, periculosidade, insalubridade e adicional noturno para os policiais. Tropas federais foram enviadas na última segunda-feira para reforçar a segurança nas ruas. Saques em diversos pontos e pelo menos 68 pessoas já foram assassinadas desde o sábado.

1 - Comunicado falso de paralisação da PM do Rio postado em redes sociais - Divulgação

Na tarde de ontem, a PM também postou nas redes sociais um comunicado desmentido sobre supostos comunicados oficiais anunciando uma greve da corporação para os próximos dias, inclusive com reproduções de falsos documentos com brasões da PM (com o nome do Comandante Geral da corporação, coronel Wolney Dias) . Até o fim da tarde, não havia qualquer informe oficial anunciando a suposta paralisação da Polícia Militar ou confirmação dos atos de protesto em frente a batalhões no estado.

Nas ruas a população teme uma possível escalada da criminalidade e aumento da segurança com a confirmação da paralisação. “No Espírito Santo está inviável circular pelas cidades porque o perigo é algo constante. Tenho amigos que moram lá e eles dizem que às 18h as lojas estão fechadas e as ruas vazias. Todos estão com medo dos bandidos. Só o anúncio de que o mesmo possa acontecer por aqui já pode deixar a bandidagem agitada”, disse uma estudante que não quis ser identificada.

 

Espírito Santo
Uma liminar do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) não impediu a mobilização de parentes de policias militares, que impedem a saída de viaturas dos batalhões, como forma de protesto. Eles reivindicam reajuste salarial e o pagamento de benefícios.

A justiça decretou a ilegalidade do movimento e proibiu a realização de qualquer tipo de paralisação dos serviços de segurança pública pelos policiais, sob pena de multa diária de R$ 100 mil para as associações de classe dos militares. O desembargador do TJES Robson Luiz Albanez determinou ainda que os piquetes montados nas sedes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros sejam desfeitos.

Foram notificadas a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado do Espírito Santo (ACS), Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia e Bombeiro Militar do Espírito Santo (Asses), Associação dos Bombeiros Militares do Espírito Santo (Abmes), Associação dos Oficiais Militares do Espírito Santo (Assomes) e Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e Pensionistas de Militares do Estado do Espírito Santo (Aspomires).

Na decisão, Albanez argumenta, baseado na Constituição, que é vedado qualquer tipo de paralisação por parte de militares, uma vez que seus serviços são indispensáveis para a sociedade e que a ausência de policiamento coloca em risco a segurança coletiva.

A ACS informou que já entrou com recurso para derrubar a liminar e que as associações não lideram as manifestações. Segundo o diretor Social e de Relações Públicas da ACS, Thiago Bicalho, o movimento de mulheres foi espontâneo e as associações estão colaborando apenas na interlocução com o governo do estado. “Temos um impasse. Se temos algum responsável por essa situação caótica é a insensibilidade do governo em não negociar”, disse, explicando que o governo informou que só vai negociar quando os familiares liberarem os batalhões.

Por causa de situação de insegurança, o governo federal autorizou o envio de 200 homens da Força Nacional e 1,2 mil homens das Forças Armadas para atuar no estado.

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