“Rua do perdeu” no bairro Ingá pode está com os dias contados

Augusto Aguiar –

O perímetro do bairro do Ingá – e principalmente a bifurcação entre as ruas Visconde de Moraes e Andrade Neves – pejorativamente apelidada há anos de “rua (ou quarteirão) do perdeu”, devido a incidência de ocorrências de roubos, entre outros crimes, pode estar com essa péssima reputação terminando. Tudo depende de um parecer favorável do governo do estado, com relação a um processo que tramita, na Secretaria de Ciência Tecnologia e Desenvolvimento, onde a Universidade Federal Fluminense (UFF) solicita a cessão de um imóvel para abrigar os Cursos de Bacharelado e de Tecnólogo em Segurança Pública. Esse Curso de Segurança Pública é apontado como o primeiro de uma universidade pública no Brasil, e o endereço (Rua Visconde de Moraes, nº 119) pode abrigar a sede do Instituto de Segurança Pública da UFF.

Os dois cursos juntos totalizam cerca de 2.500 alunos, e a UFF tem expectativa de poder dar outra vida ao lugar, em benefício dos alunos e também da população que será envolvida nos projetos de pesquisa e de extensão dos pesquisadores do Departamento de Segurança Pública. No prédio já funcionou uma fábrica e depois abrigou uma escola. O casarão reformado conta atualmente com dezenas de salas e está subutilizado, praticamente vazio, numa área considerada de risco para transeuntes e moradores, com apenas duas de suas dependências funcionando para atendimento da Fundação Leão XIII, que poderá continuar no local caso o curso da UFF seja instalado no local.

A ocupação do local pelos alunos atrairia, segundo comentários, a revitalização na região com a maior movimentação, incluindo ainda mais câmeras de segurança e iluminação. O governo do estado, devido a difícil situação financeira, tem procurado repassar a administração de alguns imóveis, visando diminuir custos com manutenção e preservar o patrimônio público, mas até agora não se manifestou sobre essa solicitação da UFF.

“A UFF já solicitou ao Estado a cessão do espaço. O processo está tramitando, já obteve alguns pareceres favoráveis dos órgãos encarregados e esperamos que tenha um desfecho favorável em breve. A chamada Rua do Perdeu terá muito a lucrar com a instalação do INEAC-UFF ali (Instituto de Administração de Conflitos) pois, além do maior trânsito de pessoas à noite e durante o dia, há a intenção de implantar programas de interação com a população local no imóvel, integrando as atividades do Instituto com a sociedade. Os cursos de Tecnólogo e de Bacharelado em Segurança Pública também terão aulas e atividades de pesquisa e extensão ali localizadas. O curso de Bacharelado é um curso normal de graduação da UFF, com a entrada por vestibular. O de Tecnólogo é na modalidade semi-presencial, para profissionais de segurança pública, por determinação do MEC. Ambos discutem conteúdos relativos a aspectos da segurança pública do ponto de vista da sociedade e não, como é comum no Brasil, do ponto de vista exclusivo do Estado. Essas discussões permitem pensar em várias estratégias não repressivas de controle social, que hoje são eminentemente repressivas”, explicou o antropólogo Roberto Kant de Lima, criador da Graduação em Segurança Pública da UFF e coordenador do INCT-InEAC – Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos.

“O estado acenou positivamente (…), já havendo o aceite da Fundação Leão XIII. A utilização do imóvel será de fundamental importância para o desenvolvimento dos projetos dos cursos. O curso de Tecnólogo, realizado em parceria com o governo do estado, via Cederj, é um dos curso da UFF com grande contingente de formados”, revelou Vladimir de Carvalho Luz, coordenador do Curso de Bacharelado em Segurança. Ele acrescentou: “É certo que a utilização pela comunidade acadêmica da UFF do imóvel da Visconde de Morais também ativara a vida urbana na localidade. A ideia é que este imóvel abrigue uma rede ampla de pesquisadores, alunos e atores sociais engajados em tematizar as questões da segurança pública e de garantias de direitos”.

Vale lembrar, que em meio as ocorrências de violência no mesmo perímetro está o assassinato, na noite do dia 28 de maio, do produtor cultural e aluno de doutorado Rafael Lage Pereira, de 40 anos, durante um assalto, na madrugada de domingo, num bar situado na Rua Visconde Morais. O crime de latrocínio causou grande comoção na cidade.

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