Roubo de cargas já reflete no bolso

Augusto Aguiar –

A ação de bandidos na prática de roubos de cargas no país é tão elevada que o Brasil já se tornou, de acordo com levantamento da FreightWatch International, especializada em apuração de dados de roubos de cargas, uma espécie de “campeão mundial de roubo de cargas”, à frente de países como México, África do Sul, Somália e Síria, apontados com de “altíssimo risco”. A pesquisa também revela que o custo com a segurança das frotas de caminhões representa 12% do faturamento bruto das empresas de logística.

“Como consequência, tudo o que é gasto com seguro, escolta e tecnologia entra no Custo Brasil e quem paga, obviamente, somos todos nós”, diz Cyro Buonavoglia, presidente da Buonny, que gerencia riscos na área de transportes e logística do Brasil.

A Associação Brasileira das Empresas de Gerenciamento de Riscos e de Tecnologia de Rastreamento e Monitoramento revela que entre 2005 e 2013, 563 mil tentativas de roubos ou furtos foram frustradas graças à ação de equipamentos antifurto e das centrais de monitoramento, o que representou uma economia de R$ 27 bilhões.

Os dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) ainda repercutem, dando conta que os roubos de carga custaram R$ 6,1 bilhões à economia brasileira entre 2011 e 2016, uma média de R$ 3,9 milhões por dia com as ocorrências, que se concentram principalmente no eixo Rio (43,7%) – São Paulo (44,1%). O estudo ainda aponta que as perdas causadas por esse tipo de crime têm crescido ano a ano, assim como o número de casos registrados, que aumentou 86%, ou seja, de 12 mil em 2011 para mais de 22 em 2016.

Os medicamentos são os tipos de produtos que mais sofrem repasse por conta da incidência do roubo de cargas no Rio. No país, segundo a Firjan representam 47% dos registros. O custo repassado ao consumidor dos remédios vendidos no estado gira em torno de 30% a 35%, revelam os números da Firjan. Cargas de eletroeletrônicos também representam muitos registros de roubos e sofreriam repasse da ordem de 30%, alimentos atingem 20%, e vestuário de 15% a 20%.

Governo apresenta plano para combater roubo de cargas
O governador em exercício, Francisco Dornelles, se reuniu, nesta sexta-feira (21), no Palácio Guanabara, com representantes de 30 setores da iniciativa privada, além da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e do Sistema Fecomércio-RJ, para debater o plano de enfrentamento ao roubo de cargas, elaborado pela Secretaria estadual de Segurança. O plano foi apresentado pelo subsecretário de Comando e Controle da Secretaria de Segurança, delegado Rodrigo Alves, representando o secretário de Segurança, Roberto Sá, que estava em Brasília. O objetivo é que a iniciativa privada possa dar contribuições para o plano, que deve ser finalizado na próxima semana.

“As forças de segurança do estado vão implantar, a curto prazo, um plano de ação que ataque esse tipo de crime. O problema de roubo de carga atinge o coração do desenvolvimento do Rio e precisa de prioridade”, afirmou Dornelles.

O subsecretário Rodrigo Alves destacou também que será criado um grupo integrado de enfrentamento ao roubo de cargas, que funcionará no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), reunindo as polícias Civil e Militar e o Instituto de Segurança Pública (ISP). Foram convidados a participar do grupo de trabalho as polícias Federal e Rodoviária Federal, a Secretaria Nacional de Segurança Pública, a Força Nacional, prefeituras fluminenses e representantes do empresariado.

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