Rotas e disfarces

Para que cada vez menos armas, várias delas importadas, atravessem milhares de quilômetros do território nacional e cheguem as mãos de criminosos em comunidades do Rio e fomentem a violência nossa de cada dia, é que um forte bloqueio tem sido decisivo para evitar que um arsenal ainda maior seja usado contra a população e a própria Polícia. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) tem desempenhado um importante papel nesse sentido, trancando as principais entradas do Estado. O resultado é que as ocorrências de apreensões de fuzis, pistolas, munições e drogas nas rodovias federais são quase que diárias, com os traficantes tentando iludir a vigilância e os agentes se especializando cada vez mais em descobri-los.

“O que posso dizer é que as principais rotas de entrada de armas, munições e drogas continuam as mesmas. Naturalmente, a Rodovia Presidente Dutra é uma rota do tráfico pela importância dela ser uma das principais vias de acesso ao Rio. A maior parte desses ilícitos (armas, drogas e munições) vem de países vizinhos, como o Paraguai. Eles entram no Brasil via Paraná, Mato Grosso do Sul e, para chegar ao Rio, acabam vindo pela Rodovia Presidente Dutra”, explicou o porta-voz da PRF no Rio, José Hélio.

Sem mencionar valores em totalização, ele informou que a estimativa do preço de um fuzil no mercado negro depende do estado de conservação, tipo e procedência, com preços variando, por unidade, entre R$ 30 mil e R$ 50 mil. De acordo com os dados mais completos e recentes da PRF, de janeiro até a primeira semana de outubro, a instituição totalizou apreensões de 15.124 munições e mais 208 armas, do mais variados modelos, o que teoricamente estaria orçado em milhões de reais. No último dia 6, por exemplo, durante uma blitz, a PRF apreendeu quatro fuzis AK-47 e outros dois modelos Colt (americano), calibre 5.56, avaliados em mais de R$ 300 mil, em Seropédica. Um homem foi preso e disse que receberia R$ 8 mil para fazer a entrega no Rio. “Muitas dessas armas são importadas e famosas, como os fuzis de fabricação russa (modelo AK-47), entre outros.

“Não estamos mais vendo os rostos, mas sim trabalhando com o comportamento”
Para interceptar essas remessas do tráfico de armas e drogas, os agentes precisam estar muito atentos, mas os criminosos também procuram sempre inovar na camuflagem para tentar “driblar” a vigilância e as blitzes nas estradas. “Outras rotas também são utilizadas, assim como mudam também a forma de transporte. Temos também grandes apreensões em rodovias como a Washington Luiz, BR-040, e a própria Rio-Santos. No fim, acaba que várias vias de acesso ao Rio são utilizadas por eles, mas a Dutra é a principal rota”. Para a PRF, a criatividade dos traficantes que promovem essas “longas viagens” de armas, munições e drogas para os grandes centros, como o Rio, é cada vez maior.

“Eles (os traficantes) preparam fundos falsos de veículos, às vezes dentro de forros criados dentro de portas de veículos, além de outros compartimentos preparados para transportes desses armamentos. Cada vez mais flagramos veículos com lataria adaptada dessa forma. Além disso, estão usando principalmente caminhonetes e veículos maiores, para tentarem obter êxito”. Se os criminosos procuram cada vez mais criar formas de superar a vigilância, por sua vez a polícia não mais se prende a “esteriótipos” durante o trabalho nas barreiras de vigilância.

“Hoje em dia não há um esteriótipo de pessoa que cometem esses crimes, transportar armas e drogas, como por exemplo, jovens, sem emprego, num veículo sozinho. Muito pelo contrário. Cada vez mais estamos registrando ocorrências envolvendo pessoas consideradas acima de qualquer suspeita. Já tivemos vários casos de veículos parados, com casal e criança, idosos, às vezes até mesmo com agentes públicos. A gente não está vendo rosto, não trabalhamos com perfil. Estamos trabalhando com o comportamento, independente de quem seja, e também com o serviço de inteligência, além da troca e cruzamento de informações, em integração com outras polícias.

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