Rosas são colocadas em árvore para homenagear Patrícia Acioli

Na manhã desta quarta-feira (11), um ato realizado pelas filhas de Patrícia Acioli, junto com membros da ONG Rio de Paz, recordou os dez anos do homicídio da magistrada, que aconteceu no dia 11 de agosto de 2011. Foram colocadas 21 rosas junto à árvore que homenageia a magistrada, na Praia de Icaraí, Região Sul de Niterói. A manifestação faz parte de uma série de ações, realizadas nas últimas semanas, em referência à uma década do crime.

O número é simbólico porque 21 foi a quantidade de tiros que vitimaram Patrícia. Acioli foi morta na porta de casa, em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói. Ela era titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo e era responsável pela prisão de dezenas de policiais militares. De acordo com as investigações, os autores foram policiais militares, insatisfeitos com a atuação da magistrada contra agentes que praticavam homicídios e extorsões.

Para uma das filhas de Patrícia, Ana Clara Chagas Acioli, as constantes homenagens trazem uma sensação ambígua. Por um lado, ela destaca a satisfação do caso não ter caído no esquecimento, diante da repercussão. No entanto, por outro lado, recordar a perda de sua mãe também traz à tona toda a tristeza, presente na vida da família desde aquela noite de agosto, há dez anos.

“A gente fica feliz pelas homenagens, pelo caso estar sendo relembrado, estar tendo a repercussão que tem, até por conta da não expulsão dos dois oficiais, dez anos depois, o que é um absurdo. Mas ao mesmo tempo vem a tristeza, porque aflora a ferida. A gente acaba sentindo mais, tendo essa sensação mais presente na nossa vida. Mas a saudade diária aperta muito mais, nesse momento. Ela foi uma supermãe, a melhor mãe do mundo”, disse.

O ato contou com apoio da ONG Rio de Paz. O presidente da organização, Antônio Carlos Costa, recordou da gravidade do crime. “Foi um crime gravíssimo, covarde, um atentado ao estado democrático de direito, uma vez que atentaram contra um dos poderes da república. A juíza Patrícia Acioli foi morta por cumprir a sua função de combater os autos de resistências forjados por PMs”, afirmou.