Rodrigo Neves recebe a visita de políticos advogados em Bangu 8

Anderson Carvalho –

Preso há 35 dias em Bangu 8, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, começou a receber visitas de políticos, como o ex-presidenciável do PDT, Ciro Gomes; o deputado federal Wadih Damous (PT) e o presidente do PDT-Niterói, Miguel Vitoriano. Estes só obtiveram autorização da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) para visitá-lo porque são advogados e têm carteira da OAB. Além deles, a filha Mayara Sixel Neves, de 24 anos, advogada que no ano passado conseguiu a carteira da Ordem, tem visitado o pai diariamente.
A visita de Ciro foi na tarde do último sábado, logo depois do pedetista ter participado da reunião do diretório nacional do partido, no centro do Rio.
“O Ciro foi lhe prestar solidariedade e disse ao Rodrigo para ter paciência e aguardar, sem perder as esperanças. Segundo o Ciro, o prefeito afirmou que acredita na Justiça e está confiante de que será solto logo. Continuou reclamando do calor na cela, que divide com mais 42 presos”, contou Vitoriano, que recebeu relato de Ciro sobre a visita.

A reportagem tentou contato com o ex-presidenciável, mas, ele não deu retorno até o fechamento desta edição. O dirigente niteroiense esteve com o chefe do Executivo na última sexta-feira (11) e ontem pela manhã.

“Ele está indignado, mas, não abatido. Tem lido muito e feito exercícios. O Rodrigo não entende porque até agora não foi ouvido pelo Ministério Público. Já teve acesso ao processo e não vê nenhuma prova contra ele. A acusação se baseia numa delação premiada. Até hoje não recebeu visita da família, apenas de uma das filhas, por esta ser advogada. Eu lhe falei para ter calma”, relatou Vitoriano.

Ainda segundo Vitoriano, a visita dos demais familiares deverá ser autorizada até a semana que vem, após a verificação da documentação deles.
Já o deputado Wadih Damous, ex-presidente da OAB-RJ, visitou o prefeito há duas semanas, também sozinho.

“O Rodrigo não entende porque foi preso. Reafirma o tempo todo a sua inocência. Fui lhe prestar solidariedade. A prisão dele foi ilegal e sem nenhuma fundamentação. O prefeito tem residência fixa, não é um assassino, nem ameaça à sociedade. A sua soltura não prejudicaria as investigações. Também não fugiria do país, pois tem uma cidade para governar. Acredito que o MP não o ouviu até agora, numa tentativa de dobrar o ânimo dele e forçar uma delação. Esta é uma estratégia que tem sido usada”, afirmou o parlamentar.

José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça e ex-chefe da Advocacia Geral da União do governo Dilma Rousseff, também por ter carteira da OAB, é outro que visita Neves. Ele é um dos advogados do pedido de habeas corpus do prefeito no Supremo Tribunal Federal (STF).
A defesa do chefe do Executivo foi reforçada com mais um nome: o criminalista Técio Lins e Silva, que na semana passada esteve com o cliente. Procurado pela reportagem, não quis falar sobre o assunto.

Rodrigo foi preso pela Operação Alameda, do Ministério Público Estadual, um desdobramento da Operação Lava Jato. Ele é acusado de cobrar propina de empresas de ônibus em relação à gratuidades e teria recebido R$ 10,9 milhões.

STJ concede prisão domiciliar a Chiquinho da Mangueira

O ministro João Otávio Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), concedeu ontem prisão domiciliar, com monitoramento por tornozeleira eletrônica, ao deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PSC), preso em 8 de novembro passado na Operação Furna da Onça, desdobramento da Operação Lava Jato no Rio. A liminar pode ser revista pela 5ª Turma do STJ. O julgamento não foi marcado ainda.
Chiquinho é um dos 10 deputados estaduais presos na operação. Ele é acusado de pedir dinheiro irregular de uma quadrilha que, segundo investigadores, era comandada pelo ex-governador Sérgio Cabral, para realizar desfile da Mangueira, da qual é presidente. O deputado nega as acusações.
Segundo as investigações, os políticos recebiam propinas mensais que variavam de R$ 20 mil a R$ 100 mil – além de cargos – para votar de acordo com o interesse do governo.

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