Rodrigo Neves faz balanço de seus oito anos como prefeito de Niterói

O dia 31 de dezembro de 2020 marca o fim do governo de Rodrigo Neves (PDT) na Prefeitura de Niterói. Marcada por êxitos e aprovação recorde, a gestão, iniciada em 2013, precisou enfrentar, em seu último ano, um desafio inédito: a pandemia do novo coronavírus. Mas isto não seria possível sem uma gestão fiscal eficiente.

Em entrevista exclusiva ao jornal A TRIBUNA, Neves fez um balanço sobre seus oito anos como prefeito de Niterói. Ele relembrou diversas passagens, desde quando concorreu pela primeira vez ao cargo, em 2008, até as últimas semanas de governo, quando está prestes a entregar a Prefeitura ao seu sucessor, Axel Grael (PDT).

Sociólogo por formação, Rodrigo Neves, antes de ser prefeito, teve atuação destacada na Câmara dos Vereadores de Niterói e também na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Além disso, ele foi secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia da cidade, e de Assistência Social do Estado.

Em 2008, tentou o cargo mais alto do Poder Executivo niteroiense pela primeira vez, concorrendo pelo Partido dos Trabalhadores. Entretanto, acabou obtendo uma derrota no primeiro turno para Jorge Roberto Silveira do PDT. Mas isto não reduziu as aspirações do então jovem político da cidade.

“Eu nunca tive a obsessão de estar prefeito. Desde a minha juventude participo dos movimentos comunitários, sociais e estudantis com objetivo de lutar por uma Niterói cada vez melhor. A candidatura é muito mais uma consequência dessa trajetória. Na minha primeira eleição, tivemos uma derrota eleitoral, mas uma grande vitória política. As derrotas ensinam muito mais do que as vitórias, por isso não tenho dúvidas que foi muito importante (para o triunfo em 2012)”, contou o prefeito.

“Sou de centro-esquerda”

Rodrigo se elegeu vereador, deputado estadual e prefeito por duas vezes, sendo a primeira vez, em 2008. Estando hoje filiado ao PDT considera a legenda com uma identificação trabalhista que combina com sua posição no espectro político.

“Fiz a opção muito consciente porque acredito que o trabalhismo tem uma proposta mais adequada, coerente aos problemas da sociedade e porque o PDT está no campo onde hoje me posiciono politicamente, que é o de centro-esquerda”, explicou Rodrigo Neves.

Em 1º de janeiro de 2013, Rodrigo Neves assumiu uma cidade que segundo ele apresentava graves problemas em diferentes setores. Oito anos depois, ele deixa o cargo com aprovação recorde. O prefeito atribui o sucesso ao estudo minucioso dos problemas que Niterói apresentava naquela época.

“Eu me preparei para ser prefeito, estudando os problemas da cidade. Quando assumi em 2013, tinha clareza que a cidade precisava iniciar um novo ciclo político administrativo. Desde a tragédia do Bumba, em 2010, a cidade vivia um impasse e uma crise sem precedentes. De fato, Niterói era uma cidade quebrada e endividada, com problemas administrativos graves em todas as áreas. Por isso nosso governo, nesses oito anos, teve um olhar bastante integral das políticas públicas e tivemos êxito em todas as frentes”, orgulhou-se.

Um dos principais pontos atacados por sua gestão foi a iminente queda na qualidade de vida, o que ia de encontro com uma das principais características de Niterói, que sempre foi reconhecida como uma das melhores cidades do Brasil para se viver. O prefeito destaca o êxito nesta empreitada.

“O mais importante, naquele momento, era reverter a tendência de queda da qualidade de vida. Para que isso pudesse acontecer, a gente precisava resgatar a confiança e a esperança dos cidadãos nas instituições e no futuro da cidade. Após todo esse período, atravessando a pior crise republicana da história do Brasil e a pior crise do Estado do Rio, Niterói evoluiu em todas as áreas e entrego ao meu sucesso uma cidade que tem as contas equilibradas”, recordou.

Rodrigo Neves detalhou a situação financeira em que entregará a cidade ao prefeito eleito, que foi vice e secretário em seu governo, Axel Grael. Neves comparou o momento atual de Niterói com o da cidade do Rio de Janeiro e relembrou que pagou quase meio milhão de Reais que o Município tinha em dívidas.

“Nós vamos entregar a Prefeitura com R$ 700 milhões em conta disponíveis para investimentos nos próximos quatro anos. Nenhuma cidade de maior porte no Brasil vai entregar a administração com esse resultado, basta ver o Rio com R$ 10 bilhões de déficit. Lembrando que em 2013 eram quase R$ 500 milhões de dívidas, que nós pagamos ao longo desse período”, explicou.

Em relação à previdência da cidade, o prefeito explicou que, mesmo tendo investido em diversos setores, conseguiu ampliar o valor poupado no Fundo Municipal de Previdência. Neves destaca que assumiu a cidade com dívidas a curto prazo e uma previdência insolúvel e a entrega com dinheiro em caixa.

“A previdência, que estava insolvente e havia cinco anos sem o certificado de regularidade previdenciária e tendo apenas R$ 12 milhões no Fundo Municipal de Previdência, que foram poupados por todas as administrações anteriores. Mesmo tendo feito número recorde de escolas, unidades de saúde, investimentos na infraestrutura, áreas de lazer… vamos entregar a previdência com R$ 765 milhões”, destacou.

Rodrigo Neves relembrou que as ações realizadas em seu governo fazem parte do plano Niterói que Queremos. O objetivo, segundo o prefeito, é simples: em 20 anos, tornar a cidade o melhor lugar para se viver e ser feliz no Brasil. Ele ainda afirma que o Município já voltou a ser o melhor para se viver no Estado do Rio de Janeiro.

“Niterói voltou a ser a melhor cidade do Rio de Janeiro. Uma cidade que tem um plano de desenvolvimento, que é o Niterói que Queremos, que é um plano que nós estruturamos lá em 2013, um plano de 20 anos cujo objetivo é transformar Niterói no melhor lugar para viver e ser feliz no Brasil”, ressaltou.

“Niterói ouviu a ciência”

O mundo vive uma de suas maiores crises, com a pandemia da covid-19. Todavia, Niterói tem conseguido sofrer menos com os impactos, em relação à várias outras cidades do país. Para Neves, o fato de seguir as orientações da comunidade científica, além das medidas econômicas e sociais postas em prática em seu governo, foram decisivos para a cidade estar em situação menos complexa.

“Niterói estudou as melhores experiências internacionais no combate à pandemia do coronavírus e, a partir de nossa coordenação, teve um plano inteirando ações sanitárias, de saúde pública, economia, proteção social às famílias mais vulneráveis e todo esse plano, evidentemente, só foi possível em função da gestão fiscal responsável e do planejamento anterior a essa pandemia, que foi muito importante para que Niterói pudesse ter êxito nessa batalha pela vida”, observou.

Entretanto, o prefeito pondera que Niterói não é uma ilha e está inserida no contexto da Região Metropolitana do Rio de Janeiro que, como um todo, possui situação delicada. Portanto, Neves mantém o discurso chamando atenção para a necessidade de se manter o isolamento social e outras medidas de prevenção ao vírus.

“Niterói precisa perseverar no distanciamento social, nas medidas relacionadas ao uso de máscaras em caso de necessidade de ir à rua, redobrar atenção com a higiene para manter o controle da pandemia”, alerta Neves.

Em relação à vacinação, Niterói tem um memorando de intenção de aquisição da Coronavac assinado junto ao Instituto Butantan. Todavia, Rodrigo Neves prefere não estipular uma data para o começo da imunização na cidade e reitera que o município seguirá o Plano Nacional de Vacinação.

“A assinatura de qualquer tipo de compra da vacina só pode ser feita depois da aprovação pela Anvisa. É importante dizer que o Brasil tem um programa nacional de imunização e Niterói vai integrar esse programa. É um programa de Estado e não de governos e a gente espera que ele comece o mais rápido possível. É preciso que a gente tenha sentido de urgência diante da grave situação, seja do ponto de vista da vida das pessoas, seja do ponto de vista da economia. Esse acordo com o Butantan é muito importante porque Niterói foi a primeira e única cidade a realizar os testes da vacina, da mesma forma temos dialogado com a Fiocruz sobre a vacina de Oxford. Assim que a Anvisa aprovar essa vacina, vamos dar o segundo passo que é a negociação para a compra”, detalhou o prefeito.

O governo de Rodrigo Neves também teve controvérsias, envolvendo investigações de supostos crimes. Entre o final de 2018 e o começo de 2019, Neves chegou a ser preso, acusado de organização criminosa e formação de quadrilha por conta de possíveis irregularidades envolvendo o pagamento de gratuidades do transporte público. O prefeito nega e afirma que sua prisão foi uma arbitrariedade.

“Em relação a 2018, a acusação que ensejou aquele arbítrio, aquele arbítrio, aquela ilegalidade e infâmia que eu sofri já foi arquivada por 6×1 pelo Grupo de Câmaras, do Tribunal de Justiça, por absoluta falta de prova ou fundamento naquela acusação infame. Não tinha nenhum cabimento falar em recebimento de vantagem indevida de gratuidades no setor de transportes, quando fui o prefeito que mais enfrentou os interesses do setor. Ao final do meu primeiro mandato, quando da acusação, só havia sido pago 20% das gratuidades devidas. Se eu tivesse algum interesse ou vantagem indevida, teriam sido pagos 100% e não 20%”, defendeu-se.

Mais recentemente, no dia 16 de dezembro, o prefeito foi um dos alvos da “Operação Transoceânica” da Polícia Federal, que apura supostas fraudes na construção do corredor viário que liga a Zona Sul à Região Oceânica e em contratos de publicidade. Rodrigo Neves lamentou a ação.

“A gente lamenta a utilização de órgãos do Estado, como a polícia, para ações com interesse claramente político. Se você olhar a peça da medida cautelar, assinada estranhamente por um único procurador. Todas as operações da Polícia Federal são assinadas por vários procuradores. (O procurador) está com esse processo, devassando a minha vida, desde 2017, quebrando meus sigilos bancário, fiscal, telefônico… não encontraram uma mensagem, um telefonema, nenhum tipo de enriquecimento, vantagem indevida, nenhum tipo de ação ilegal ou criminosa da minha parte. O abuso de poder foi do procurador porque ele cita um relatório induzindo o juiz ao erro. Um relatório preliminar do Tribunal de Contas, que já tinha sido respondido, esclarecido e revisado em 2019. Já fizemos a petição pedindo a anulação da ação”, explicou-se.

Prestes a deixar o cargo de prefeito após oito anos, Rodrigo Neves faz um agradecimento à população de Niterói pelo carinho recebido e afirma que o momento é de se dedicar à sua família. Além disso, ele ressalta o desejo de se dedicar à Sociologia, sua área de formação profissional.

“Primeiro vou me dedicar mais à minha família, que sofreu muito com a minha inteira dedicação à cidade. Eu tratei a cidade como uma filha querida e a cidade devolveu esse amor em todos esses anos. Vou ser o avô da Manuela, porque realmente me dediquei muito ao bem comum nesses anos. Vou me dedicar à minha área de formação profissional, a Sociologia, seja como pesquisador seja como professor, transmitindo conhecimentos com a experiência de governança da cidade nesses anos”, contou.

Todavia, isto não significa uma aposentadoria da vida política. Ciente de que deixa o governo com alta visibilidade e aprovação recorde, Neves despistou sobre uma eventual candidatura ao Governo do Estado, já em 2022.

“Fico honrado de ser lembrado como potencial candidato a governador do Estado. Acredito que isso se deve, em boa medida, à ampla aprovação popular e ao reconhecimento da gestão de Niterói no Estado do Rio, no país e até internacionalmente, com resultados incontestáveis. Mas eu realmente quero me dedicar à minha área de formação, sem descartar nenhuma perspectiva de continuidade na vida pública. Não posso descartar, em definitivo, qualquer tipo de perspectiva, não tenho obsessão. Eu já sou extremamente realizado por ter presidido o nosso país, que é Niterói”, concluiu.

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