Rodovias em estado mais precário

Geovanne Mendes –

A edição 2017 da Pesquisa CNT de Rodovias avaliou 105.814 quilômetros de rodovias em todo o país, um acréscimo de 2.555 km (2,5%) em relação à pesquisa do ano passado. O que a Confederação Nacional do Transporte transforma em números, os motoristas e usuários das rodovias de todo o país já estão cansados de saber. As estradas classificadas como regular, ruim ou péssimo respondem por 61,8%, um aumento de 3,6 pontos percentuais em relação a 2018. A queda da qualidade se reflete no Estado, cuja classificação regular, ruim ou péssima subiu 18,51% nos últimos 12 meses. São 5.102 quilômetros com baixa qualidade em toda a sua estrutura, incluindo estado geral, pavimento, sinalização e geometria da via. Quando pesquisadas as rodovias com uma melhor qualidade, em sua maioria estrada sob concessões, a CNT é clara ao afirmar que houve uma queda de 12,73% nos quilômetros classificados como bom e ótima. Em 2017 foram 5.113km, em 2016 a pesquisa contabilizou 5.859km.

Em todo o Brasil a sinalização foi o aspecto que mais se deteriorou. De acordo com a pesquisa em 2017, o percentual da extensão de rodovias no país com sinalização ótima ou boa caiu para 40,8%, enquanto que no ano passado 48,3% haviam atingido esse patamar. Neste ano, a maior parte da sinalização (59,2%) foi considerada regular, ruim ou péssima. No estado do Rio, a sinalização das rodovias também foi o destaque na pesquisa. Em todos os quilômetros percorridos os técnicos da CNT verificaram que houve um aumento de 29,99% nas avaliações consideradas regular, ruim ou péssimas, representando 1.244km, em 2016 foram 957km.

Na região, a RJ-104, que liga Niterói à Itaboraí, e a RJ-116, que liga Itaboraí à Itaperuna, no Noroeste Fluminense, tiveram a sua sinalização considerada regular. Ano passado a RJ-116 foi avaliada como uma boa rodovia neste quesito. Já a RJ-106, que liga São Gonçalo à Macaé, no Norte do Estado, foi considerada pela CNT como uma rodovia com sinalização ruim.

Em relação à qualidade do pavimento, a pesquisa indica que no Brasil metade (50,0%) apresenta qualidade regular, ruim ou péssima. Em 2016, o percentual era de 48,3%. No estado, a qualidade do pavimento das rodovias também deixou a desejar e houve um aumento de 19,72% na avaliação que classifica como regular, ruim ou péssima. A pavimentação da RJ-104 piorou de um ano para o outro e saiu de regular em 2016 para ruim em 2017. Quem também piorou no mesmo período foi a RJ-116, que teve o seu pavimento rebaixado de bom em 2016 para regular. A RJ-106 se manteve como regular na pesquisa.

Já a geometria da via manteve o resultado do ano passado: 77,9% da extensão das rodovias brasileiras tiveram sua geometria avaliada como regular, ruim ou péssima e apenas 22,1% tiveram classificação boa ou ótima. As RJs 104, 106 e 116 tiveram avaliação regular neste item.

Privatizadas
Duas rodovias, uma estadual e a outra federal, que passam ou ligam cidades da nossa região tiveram um ótimo resultado nesta pesquisa. A RJ-124, que liga a Região Metropolitana a dos Lagos, sob a concessão da Via Lagos, foi avaliada como ótima na pesquisa. Já a BR-101, administrada pela Autopista Fluminense, teve o seu estado geral avaliado como bom.

Faltam investimentos
“A queda na qualidade das rodovias brasileiras tem relação direta com um histórico de baixos investimentos em infraestrutura rodoviária e com a crise econômica dos últimos anos”, afirma o presidente da CNT, Clésio Andrade. Segundo ele, a drástica redução dos investimentos públicos federais a partir de 2011 levou a um agravamento da situação das rodovias. Em 2011, os investimentos públicos federais em infraestrutura rodoviária foram de R$ 11,21 bilhões; em 2016, o volume investido praticamente retrocedeu ao nível de 2008, caindo para R$ 8,61 bilhões. Este ano, até o mês de junho, foram investidos apenas R$ 3,01 bilhões.

Para dotar o país de uma infraestrutura rodoviária adequada à demanda nacional, são necessários investimentos da ordem de 293,8 bilhões, segundo o Plano CNT de Transporte e Logística.

Apenas para manutenção, restauração e reconstrução dos 82.959 km onde a Pesquisa CNT de Rodovias 2017 encontrou trechos desgastados, trincas em malha, remendos, afundamentos, ondulações, buracos ou pavimentos totalmente destruídos são necessários R$ 51,5 bilhões.

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