Rodoviários que trabalham no Terminal vão parar na segunda

Depois de as medidas restritivas de enfrentamento e combate à Covid-19 terem sido adotadas por Niterói e outros municípios, as atividades econômicas da cidade podem ser paralisadas nesta segunda-feira (26) pela greve dos rodoviários. O Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes Rodoviários de Passageiros de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac), que representa a categoria, em nota oficial, reafirmou que vai parar:

“O Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) reitera que a paralisação da categoria ocorrerá na segunda-feira (26/04), com concentração pela manhã no Terminal Rodoviário João Goulart, Centro de Niterói, envolvendo trabalhadores das empresas com base nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá, conforme definido em plebiscito. Esses profissionais ainda não foram indicados pelas prefeituras dessas cidades para o grupo prioritário de imunização contra o Covid-19, apesar de incluídos no Plano Nacional de Vacinação e existir uma Lei estadual sancionada nesse sentido. Até esta sexta-feira (23/04), 51 rodoviários da base do Sintronac morreram em consequência da doença”, diz a nota, na íntegra.

A paralisação, no entanto, abrange apenas os trabalhadores das linhas que operam no terminal rodoviário João Goulart. Tão essenciais quanto os demais rodoviários, os trabalhadores que atuam nas linhas que partem da Rodoviária Roberto Silveira não foram incluídos em movimento algum. Em contato com A TRIBUNA, a assessoria do Sintronac disse que tais trabalhadores não representam, sequer, 1% dos rodoviários dos cinco municípios abrangidos pelo sindicato. Desta forma, quem tem viagens programadas para segunda-feira (26), partindo da rodoviária, não será afetado pela greve.

O mesmo não pode ser dito por quem depende do transporte coletivo urbano convencional para ir trabalhar. Diversas pessoas estão preocupadas em como vão se descolar de casa até o seu local de trabalho. É o caso de Giovanna, recepcionista, que trabalha em Icaraí, moradora do Barreto. “Não sei como vou fazer para ir trabalhar segunda-feira. Minha chefe disse que era pra eu tentar dar um jeito. Só não sei qual, porque se for pra usar Uber, com certeza o preço vai estar na tarifa dinâmica. Mas eu acho que os rodoviários estão certos e muitas pessoas vão perceber o quanto quando eles pararem. Espero que os próximos não sejam as pessoas da saúde, que certamente estão esgotados e cansados de atender muitas pessoas que desprezam as medidas sanitárias” – disse.

SINDICATO PATRONAL APOIA

A paralisação conta com o apoio do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários (Setrerj). Segundo o presidente, Márcio Barbosa, “as empresas de ônibus se solidarizam com os motoristas e os trabalhadores do sistema de ônibus em geral, por entenderem que a categoria atua na linha de frente do Covid-19 e se encontra exposta à infeção, diariamente.”

ACENOS DE VACINAÇÃO

Na quinta-feira (22), o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou que os motoristas e cobradores de ônibus da cidade seriam incluídos nos grupos prioritários de vacinação contra a Covid-19

Na sexta-feira (23), a prefeitura de São Gonçalo, através de nota, também anunciou que incluirá os trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano na fase 4 de seu plano de imunização municipal.

A Prefeitura de Niterói acenou com a possibilidade de imunização da categoria pela Sputnik V, cujos primeiros lotes adquiridos pela municipalidade chegariam à cidade em maio. Recentemente, o município, em conjunto com Maricá, ingressou com ação na justiça contra à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pedindo permissão para importação e aplicação do imunizante. Já por duas vezes, o município teve que suspender a vacinação por falta de repasse de imunizantes, sequer tendo concluído a vacinação de idosos e trabalhadores da saúde.

Marcelo Feitosa

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