Rodoviários podem parar por atraso de salários e benefícios

Por Íngrid Bianchini

Está prevista para a próxima terça-feira (9) uma assembleia na sede Sindicato dos Rodoviários (Sintronac), no Centro de Niterói. Na pauta, benefícios das cestas básicas, que chega a dois meses, e pagamentos de salários que por Lei é previsto até o quinto dia útil do mês. A reunião é restrita a trabalhadores das empresas Ingá, Rosana e Pendotiba.

O grupo Ingá foi o conglomerado de empresas de ônibus de Niterói mais atingido pela crise no setor de transportes. Em fevereiro deste ano, os funcionários e os executivos do grupo firmaram acordo, através de negociações do Sintronac e intermediação do Ministério Público do Trabalho (MPT), para quitação de dívidas trabalhistas. No entanto, a elevação do custo operacional, principalmente do óleo diesel, comprometeu o cumprimento do calendário de pagamento dos débitos.

“Os trabalhadores não podem ser mais prejudicados do que já foram. Há um risco concreto de parada total no grupo Ingá. Essa assembleia definirá a postura dos funcionários do grupo Ingá diante desse rompimento do acordo. Voltaremos a pedir a intermediação do MPT diante desse quadro grave de violação das leis trabalhistas”, afirma Rubens dos Santos Oliveira, presidente do Sintronac.

REAJUSTE DA TARIFA

De acordo com a SETRERJ, sindicato que representa os consórcios Transoceânico e Transnit, a Prefeitura, ao atualizar o valor da tarifa no último dia 30 de julho, deu um passo importante para a recuperação do sistema municipal de transporte.

Mas, como o próprio governo reconheceu, o índice de reajuste de 9,88% é inferior à inflação acumulada, de 23,82%, desde o último aumento em 2019 e reconhece que o reajuste permaneceu congelado por 36 meses não terá efeito imediato.

Desta forma, a Setrerj considera imprescindível a conclusão o quanto antes do estudo de equilíbrio econômico-financeiro já anunciado pela Prefeitura, que vai estabelecer a tarifa técnica do sistema de transporte, de forma que compatibilize as receitas e os custos do setor. Somente o óleo diesel sofreu reajuste de 188% desde 2019.

Empresas e trabalhadores voltam a discutir um novo reajuste relativo a 2022, lembrando que somente em julho deste ano as empresas conseguiram cumprir o acordo firmado com os rodoviários, relativo ao dissídio da categoria em 2021.

Além disso, segundo o presidente do Sintronac, a Prefeitura se recusa a recebê-los para discutir o que realmente interessa, que é o colapso no sistema de ônibus na cidade. “A Ingá pode parar a qualquer momento. Como poder concedente, a Prefeitura não pode fechar os olhos para essa realidade catastrófica”, assegura Rubens dos Santos Oliveira.