Rodoviários farão greve na segunda; ato está marcado para o Terminal de Niterói

Aglomeração. A palavra, que se tornou tão corriqueira como andar de ônibus, e que corresponde àquilo que tanto os governos e pessoas com senso de responsabilidade tentam evitar, está diretamente associada ao ambiente de trabalho dos rodoviários. Mesmo com as campanhas de orientação de distanciamento social e medidas de governo no sentido de fiscalizar o cumprimento dos protocolos sanitários, eles seguem expostos ao risco de contágio pela Covid-19, em razão do grande número de pessoas que circulam nos ônibus, terminais e pontos de embarque.

A paralisação, que vai ocorrer na segunda-feira (26), terá início no Terminal Rodoviário João Goulart, em Niterói, com ato público marcado para 6h da manhã. Será um protesto pela não inclusão da categoria no calendário de grupos prioritários para vacinação contra a Covid-19, por parte do Governo do Estado e prefeituras. E também o meio de exigir maior empenho do Governo Federal na aquisição dos imunizantes.

O movimento nasceu de um plebiscito feito pelo Sindicato dos Rodoviários de Niterói à Arraial do Cabo (SINTRONAC), que representa a categoria. De um total de 1.558 rodoviários que participaram da votação, 1.481 optaram pela deflagração da greve, 64 foram contrários e 13 votaram em branco. Participaram rodoviários de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá.

“A decisão foi certa. Nós estamos aqui de frente, todos os dias, lhe dando com o povo. Precisamos tomar a vacina, mesmo”, afirmou o despachante Márcio Porto, que aprovou o resultado do plebiscito. Ainda segundo o despachante, vários colegas rodoviários já perderam a vida em decorrência da Covid-19.

DECISÃO ANUNCIADA

Na última segunda (19), o SINTRONAC comunicou às empresas, à Justiça e às autoridades do Estado e dos municípios a decisão da votação, de acordo com a Lei 7.783/89. Uma carta aberta à população será publicada para explicar os motivos do protesto. Ouvida pela reportagem de A Tribuna, a auxiliar administrativa Dulcinéia Torres, manifestou apoio aos rodoviários. “Eu concordo sim, eles tem que ser vacinados também. São profissionais que estão à frente do serviço, estão arriscando a vida deles”, disse.

Desde janeiro deste ano, o SINTRONAC tem enviado ofícios às prefeituras alertando sobre a necessidade urgente da vacinação dos rodoviários. Apenas a Prefeitura de Niterói acenou com a possibilidade de imunização da categoria pela Sputnik V, cujos primeiros lotes adquiridos pela municipalidade chegariam à cidade em maio.

O motorista Marcos Vinícios, há mais de 10 anos na profissão, destacou a importância da imunização da categoria. “Seria bom sermos vacinados porque fazemos parte do grupo de risco”, afirmou o rodoviário.

“Não tem sentido os rodoviários serem deixados para trás nessa campanha de vacinação. Foram tantas demissões ao longo dos anos que a categoria reduziu consideravelmente. No entanto, os ônibus continuam a ser vetores de transmissão da doença e os rodoviários continuam expostos no seu cotidiano, enfrentando passageiros que não usam máscaras. Desde março do ano passado, até o último fim de semana, já somamos 49 mortos pelas consequências da Covid-19 em nossa base, mas o número pode ser maior”, afirma o presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira.

DIA D

O dia 26 de abril foi escolhido como marco para a paralisação porque foi a data escolhida pelas prefeituras do Rio de Janeiro, Niterói, Maricá e Itaguaí para o início da vacinação de categorias profissionais, calendário que já foi alterado pelo atraso na remessa de lotes de vacina pelo Governo Federal, mas que foi mantido pelos rodoviários como o marco simbólico do descaso para com a categoria.

O Sintronac pretende estender a paralisação para os demais municípios de sua área de atuação, além de iniciar conversações com sindicatos dos rodoviários da capital e da Baixada Fluminense para que estes também participem da mobilização, além de metroviários, ferroviários e trabalhadores das Barcas.

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