Rodoviários da Ingá têm benefícios congelados há três anos

Rodoviários do grupo de empresas Ingá podem ir à Justiça do Trabalho para assegurar o pagamento de férias em atraso e de cestas básicas, que está congelado há, pelo menos, três anos. O caso está sendo mediado pelo Ministério Público do Trabalho. Em um comunicado encaminhado ao Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac), representantes do grupo afirmam que, diante da crise econômica vivida pelas companhias, há um risco real de que elas entrem em processo de falência.
Os executivos da Ingá, no mesmo documento, oferecem aos trabalhadores a proposta de pagamento das férias vencidas em 20 parcelas iguais, a partir de junho do ano que vem. Sobre as cestas básicas, a companhia ofereceu R$ 170,00 em dezembro e, a partir de 2022, R$ 220, em abril, R$ 270, em agosto e R$ 300 em dezembro, sem o desconto de 20% previsto no Acordo Coletivo.
Em assembleia realizada na sede do Sintronac, no Centro de Niterói, na última quinta-feira (2), os rodoviários que trabalham na empresa apresentaram a contraproposta de pagamento integral do valor da cesta básica da categoria, atualmente R$ 400, com o desconto dos 20%, conforme acordado firmado entre o Sintronac e a entidade patronal, Setrerj, no início de novembro.
Os trabalhadores também decidiram pelo parcelamento em 12 vezes das férias atrasadas, a partir de junho de 2022; o pagamento em dobro das férias não pagas, conforme previsto no artigo 137 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT); multa de 50% sobre cada período atrasado; o pagamento de mais um benefício de ‘férias’, a cada duas atrasadas, também de acordo com a CLT; e, em caso de demissão do empregado, a quitação imediata de todos os débitos existentes na empresa.
A decisão da assembleia foi encaminhada na última sexta-feira (3) pelo Sintronac ao Ministério Público do Trabalho e ao grupo Ingá, acrescida de um pedido de esclarecimento sobre uma denúncia de que as empresas não estão recolhendo o FGTS dos trabalhadores e pagando ao INSS apenas a parte dos empregadores, que é de 80% das alíquotas.
“Os trabalhadores, durante a pandemia, tiveram suas jornadas reduzidas, muitos foram demitidos, mas, agora, que as atividades econômicas estão praticamente normalizadas, as empresas têm que honrar seus compromissos com aqueles que mais se sacrificaram, tanto com a causa do equilíbrio financeiro das companhias, quanto com a da sociedade, pois os rodoviários estavam lá sempre que a população mais precisou”, afirma o presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira.
A Ingá é um dos principais grupos de empresas de ônibus de Niterói. Criado em 1957, engloba, atualmente, as viações Ingá, Peixoto e Rosana. Juntas, empregam cerca de 480 funcionários, entre rodoviários e pessoal administrativo. As companhias são responsáveis por 24 linhas municipais e intermunicipais, que ligam as zonas Norte e Sul de Niterói; além de conexões entre Niterói, Rio de Janeiro e São Gonçalo.

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