Rodoviários: Após estado de greve, acordo fica mais longe

Após rodoviários entrarem em estado de greve por rejeitarem, de maneira unânime, em votação realizada em dois turnos na última quinta-feira (4), a proposta patronal de reajuste de 4% nos salários, divididos em duas parcelas (novembro deste ano e julho de 2022), o Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj) ainda não divulgou se apresentará nova proposta ao sindicato da categoria. Com o impasse, aumenta a possibilidade de uma greve de ônibus em Niterói e região ser deflagrada a partir do final do mês.

Durante as duas assembleias, os rodoviários (que estão com os salários congelados há dois anos), decidiram manter a proposta da categoria, definida em uma série de assembleias realizadas em setembro e outubro, reivindicando reajuste salarial imediato de 10%; aumento de 20% nas demais cláusulas econômicas do contrato de trabalho; R$ 400,00 para o valor da cesta básica (hoje é R$ 280,00); comissão de 2% para os motoristas que acumulem a função com a de cobradores; e instalação de cofres nos pontos finais de maior circulação.

De acordo com o Sindicato dos Rodoviários de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá (Sintronac), a decisão dos rodoviários que resultou no estado de greve foi encaminhada para o sindicato patronal, na última sexta-feira (5). O Sintronac informa que, caso as empresas não melhorem sua proposta, uma nova assembleia da categoria será marcada pela entidade para votar o indicativo de greve, assim como para definir a data e a estratégia a ser adotada para a realização do movimento.

Enquanto isso, rodoviários que trabalham no Terminal João Goulart, Centro de Niterói, demonstram apoio à decisão do sindicato. Muitos relatam que não há mais como a categoria iniciar mais um ano sem reajuste salarial. O fiscal Paulo Tamato explica que respeitará todas as decisões da categoria.

“Vamos aguardar a contraproposta das empresas. Até o momento não tínhamos uma posição concreta para saber o que aconteceria. Estou disposto a seguir o que a categoria decidir, precisamos nos unir para conseguir nosso reajuste”, afirma o fiscal.

Já entre os usuários, o clima é de preocupação. Trabalhadores relatam que dependem do ônibus para chegar ao trabalho e afirmam que serão obrigados a permanecerem em casa, caso a greve aconteça. “A greve vai atrapalhar muito porque, devido a natureza de minha profissão, eu trabalho no Rio, em Maricá e em Niterói, e ficarei sem ter como me deslocar de uma cidade para outra. Eu dependo exclusivamente do ônibus para chegar no trabalho”, relata a técnica em enfermagem, Marilda Ferreira, que mesmo diante da dificuldade afirma apoiar o movimento grevista.

Já o empreendedor Paulo Eduardo Bernades, argumenta que a greve representa prejuízo financeiro para seu negócio. “Eu praticamente dependo do ônibus para conseguir trabalhar. Sem ônibus, precisarei recorrer a aplicativos de transporte para conseguir atender seus clientes, o que aumenta meus custos”, explica. Assim, como a técnica de enfermagem, Paulo Eduardo, apesar dos problemas que precisará enfrentar caso a greve aconteça, defende a categoria.

“Eu acho a greve legítima. As empresas precisam chegar a um concesso. Os motoristas atualmente exercem dupla função, trabalhando como motorista e cobrador, ao mesmo tempo, mas recebem salário apenas por uma delas. Se o profissional está exercendo uma função a mais, no mínimo ele precisa receber um salário mais justo”, conclui o empreendedor.

Estado de greve

Tecnicamente o estado de greve é um estágio da negociação trabalhista que acontece quando a categoria profissional rejeita uma contraproposta oferecida classe patronal. Na prática, isso significa o fracasso da primeira tentativa de acordo. No entanto, o estado de greve ainda não significa o indicativo de greve. Para isso, será necessário a realização de uma nova rodada de assembleias que, caso persista o impasse na tentativa de acordo, precisará aprovar o indicativo que oficializará o início da greve, informando a data exata para início da paralisação, assim como seu comunicado às autoridades e sociedade civil, com, no mínimo, 72 horas de antecedência.

Além disso a justiça estabelece que a greve só pode ser deflagrada 30 dias após a data-base da categoria que está reivindicando reajuste salarial. Como a data base dos rodoviários de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá foi no último dia 1 de novembro, isso significa que o Setrerj ainda pode evitar a greve, caso consiga chegar a um acordo com a categoria, até o final desse mês.

Procurados por nossa reportagem, até o fechamento desta edição, o Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj) não respondeu aos nossos questionamentos sobre o ofício encaminhado pelo Sintronac comunicando o ‘estado de greve’ dos rodoviários da região, nem se pretende apresentar uma nova proposta à categoria.

Marcelo Feitosa

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