RJ tem risco de epidemia de chikungunya, diz subsecretário de Vigilância em Saúde

Wellington Serrano –

O subsecretário de Vigilância em Saúde do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Alexandre Chieppe afirmou, na manhã desta quarta-feira (03), que não está descartada a possibilidade de uma epidemia de chikungunya no verão deste ano. Ele alerta que, nesse período, é preciso redobrar a atenção com possíveis focos do mosquito Aedes Aegypti.

“Há o risco de uma epidemia de chikungunya, isso não é possível descartar. O que resta a todos nós é intensificar as ações de prevenção, evitar a proliferação do mosquito para que não tenhamos um 2018 com dengue, zika e chikungunya”, explicou Chieppe. Ainda assim, ele acredita que os problemas gerados pela dengue devem ser menores. “O cenário de dengue hoje é, de certa forma, um cenário mais tranquilo, por conta da circulação do vírus da dengue, que é o mesmo desde 2011, intercalando com dengue 4. É muito pouco provável a entrada de um novo vírus. O que preocuparia seria a dengue 2 ou dengue 3”, destacou o subsecretário.

Segundo Chieppe, o problema financeiro enfrentado pelo Rio de Janeiro não deve afetar a prevenção das doenças causadas pelo Aedes Aegypti. Segundo ele, os 92 municípios possuem planos de contingência prontos, com ações de prevenção e assistência estruturados. “Obviamente, todo o setor público vem sofrendo com a falta de recursos. Por outro lado, a questão da contingência das arboviroses doenças transmitidas por insetos, que é a preparação para dar conta de uma eventual epidemia, ela está posta”, explicou.

Niterói
Na Zona Norte de Niterói o número de infectados por doenças transmitidas pelo Aedes aegypti é visível. A equipe de reportagem de A TRIBUNA esteve no bairro Engenhoca e conferiu que só nas Ruas João Brasil, Travessa Pastor José de Melo e Francisco Sardinha, são dezenas de casos suspeitos de zika e chikungunya.

Preocupada, a Prefeitura de Niterói anuncia que vai reforçar o combate ao mosquito com o objetivo de diminuir a transmissão dessas doenças. A Fundação Municipal de Saúde (FMS) afirma que vai intensificar as ações na temporada mais quente do ano.

“Segundo o último Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), divulgado pelo Ministério da Saúde, Niterói tem índice 0.9% de infestação de criadouros, o que é considerado satisfatório. Isso indica baixo risco de surto de dengue, zika e chikungunya. A prefeitura e a população trabalham durante todo o ano no combate ao Aedes e nos meses mais quentes, condição favorável a reprodução do mosquito, devemos intensificar as ações de combate e pedimos que os cidadãos continuem participando”, alerta a secretária de Saúde, Maria Célia Vasconcellos.

A cidade, no período de 1° de janeiro a 9 de novembro de 2017, registrou 806 notificados de casos suspeitos de dengue, 277 casos suspeitos de zika e 479 casos suspeitos de chikungunya. No mesmo período do ano de 2016 foram notificados 3.307 casos suspeitos de dengue, 5.437 casos suspeitos de zika e 258 de chikungunya.

Para Renata dos Santos Neves, de 44 anos, moradora do número 309 da Rua Francisco Sardinha, ter contraído chikungunya há três meses foi um sofrimento. “Fiquei apavorada com a situação, aqui em casas todos estão de cama. Não sabemos como ficamos doentes, pois todos nós estamos sempre no combate do mosquito através da limpeza do quintal, repelentes e telas”, disse a dona de casa.

Para a gestante Elaine Sobrado Pimentel, moradora na mesma rua, ter contraído a doença foi desesperador. Ela teme que sua filha entre na estatística de bebês com microcefalia associada ao vírus. Angústia dividida por muitas grávidas, já que o diagnóstico da doença é feito no nascimento. “Cheguei a sonhar com minha filha nascia com problemas. Cheguei a ir no nefrologista, e ele afirmou que meu bebê está se desenvolvendo normalmente, mas tenho medo que no nascimento a situação mude”, lamentou.

Quem trabalha perto da Rua João Brasil, afirma que o perigo mora ao lado em um terreno baldio. Caso do comerciante José Carreteiro, mas conhecido como Caizé. “Na João Brasil tem um trecho enorme de casas com casos”, realçou. Ele disse que ficou internado e depois só andava de muletas com muitas dores nos ligamentos, principalmente das mãos.

O Disque-Dengue Niterói – (21) 2621-0100 – é a linha telefônica exclusiva do município para solicitação de visitas dos agentes e para denúncias de casas abandonadas, terrenos com lixo acumulando água, entre outros possíveis focos do mosquito da dengue. O atendimento está disponível de segunda à sexta-feira, das 8h às 17h, e sábados e domingos, das 9h às 13h.

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