RJ-100: sem acostamento, pavimentação, baia e ponto de ônibus

Wellington Serrano –

O abandono é o estado da RJ-100, que tem 13,5 quilômetros de extensão de buracos e se estende ao longo do limite entre os municípios de Niterói e São Gonçalo, indo do Barreto, a partir do entroncamento com a BR-101 (Niterói-Manilha), a Rio do Ouro, na interseção com a RJ-106 (Rodovia Amaral Peixoto).

Com o projeto de recuperação parado há mais de dois anos e sem manutenção constante, a pista apresenta buracos e ondulações. Motoristas e moradores das imediações relatam constantes acidentes e o risco para quem trafega na via.

Assumida pelo Estado, a estrada chegou a ter obras iniciadas para sua completa recuperação. Os moradores do local denunciam que o estado retirou um asfalto bom, apesar de estar há 40 anos sem reparos, para colocar outra camada que não é de boa qualidade. “Foi uma grande brincadeira que fizeram com a gente”, reclama a moradora Maria Célia, que passa todo dia pelo local e sofre as consequências do mau estado de conservação das pistas.

O mecânico Leir Godinho, que é dono de uma oficina de alinhamento e balanceamento, diz preferir os buracos e os radares. “Com os buracos quem ganha dinheiro sou eu, mas com radares quem ganha são os políticos, que roubam o nosso dinheiro pago através dos impostos”, lamenta.
A moradora do Bosque Pendotiba, Marcia Soares, denuncia a falta de um sinal em frente ao seu condomínio e um vazamento de esgoto e diz que é prejudicada pelos buracos. “A estrada está muito ruim. Como fica na divisa entre dois municípios infelizmente é assim. De vez em quando estoura um bueiro. Muitas vezes uma cratera surge do nada, de uma hora para outra. É bem perigoso”, afirma a dona de casa que sugere a criação de uma ciclovia. “Seria tudo de bom”, sinaliza ela.

Segundo o rodoviário André Jorge Carvalho, morador da Rua Aristides, a questão do asfaltamento em sua rua é uma pouca vergonha. “Fiquei dois meses sem asfalto na frente da minha casa. A situação é pior para quem trafega na RJ-100 em carros de passeio e motocicletas. Um buraco que o ônibus supera, estraga um carro ou provoca uma queda de moto”, realça André.

Dono de um borracheiro em Rio do Ouro, Antônio da Silva também reclama da estrada. Além dos problemas de conservação, que trazem muitos clientes para sua loja, ele cita a falta de fiscalização, que torna a via mais perigosa. “A estrada volta e meia fica muito esburacada. Está perigosa, há o risco constante de um motorista bater ou atropelar alguém. A manutenção era melhor antes, quando ficava com a prefeitura, do que hoje, com o estado”, diz Antônio.

Trabalhando na Praça do trevo de Maria Paula, a vendedora Fátima Almeida reclama da falha do semáforo no local, que tem colégios no entorno. “Ninguém respeita esse sinal. Os motoristas quando voltam da Região dos Lagos sempre avançam em alta velocidade. Já houve vários acidentes por conta disso, e a gente tem medo de uma tragédia porque crianças circulam aqui o dia todo”, reclama a vendedora.

A responsabilidade de fiscalizar a rodovia é do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRv). Já o trabalho de obras e manutenção na RJ-100 é do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) que, procurado pela equipe de reportagem, não respondeu até o fechamento da edição.

PREFEITURA TENTA AMENIZAR PROBLEMAS
Os buracos e a falta de conservação na via, que representam risco aos motoristas, podem ser amenizados pela prefeitura de Niterói que propôs um convênio com o governo estadual para restaurar parte da RJ-100, que passa por bairros de Pendotiba e Zona Norte. A proposta já foi feita e demais detalhes, como quais trechos serão restaurados, ainda estão sendo estudados.

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