Rio teve três crimes ligados à intolerância religiosa por dia

Vítor d’Avila

Em 2020, aconteceram aproximadamente três casos que podem estar relacionados à intolerância religiosa. É o que informa o Instituto de Segurança Pública (ISP), cujos dados apontam que, no ano passado, houve 1.355 registros de ocorrência de crimes que podem estar relacionados à intolerância religiosa, em delegacias de Polícia Civil.

No mesmo balanço, o ISP contabilizou 23 casos de ultraje a culto religioso em todo o estado do Rio de Janeiro, nove a menos do que no ano anterior, quando foram totalizadas 32 ocorrências. O ultraje é caracterizado pela ridicularização pública, impedimento ou perturbação de cerimônia religiosa.

No mesmo contexto, estão inclusos casos de injúria por preconceito, que registrou 1.188 vítimas; e preconceito de raça, cor, religião, etnia e procedência nacional, com 144. O ISP explica que injúria por preconceito é o ato de discriminar um indivíduo em razão da raça, cor, etnia, religião ou origem. Já o preconceito de raça, cor, religião, etnia e procedência nacional tem por objetivo a inferiorização de todo um grupo étnico-racial e atinge a dignidade humana.

O instituto também ressalta que há uma comum subnotificação desses crimes. O levantamento foi divulgado ontem na véspera do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, comemorado hoje, como uma forma de estimular a denúncia desse tipo de crime.

“O ISP divulga esses dados com o intuito de educar e alertar a sociedade para o fato de que a intolerância religiosa é crime e deve ser denunciado. Nós entendemos que esses números ainda são muito subnotificados e a melhor forma de evitar que novos casos aconteçam é garantir que os agressores sejam punidos na forma da lei. Nossa Constituição assegura o livre exercício de todos os cultos religiosos e temos a obrigação de proteger esse direito”, afirmou a diretora-presidente do ISP, Marcela Ortiz.

Para denunciar crimes do tipo, o ISP orienta que as vítimas o façam em qualquer delegacia. O instituto ainda lembra que há a Delegacia de Combate a Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), especializada no atendimento de vítimas de racismo, homofobia e intolerância religiosa, na Rua do Lavradio, nº 155. Os registros também podem ser feitos pela Delegacia Online da Secretaria de Estado de Polícia Civil.

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