Rio pode ter complexo de produção de vacinas

O Ministério da Saúde está em fase final de modelagem para a construção do Complexo de Biotecnologia em Saúde (CIBS), em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, para a produção de vacinas. De acordo com a pasta, a capacidade de produção será de 120 milhões de frascos por ano, podendo chegar a 1 bilhão de doses anuais. O modelo público-privado deverá investir R$ 3 bilhões na construção do CIBS.

Segundo o ministro Luiz Henrique Mandetta, o projeto foi incluído no Plano Plurianual de Investimentos da pasta. Ele espera que até o final do ano tenha a conclusão da análise. “É um investimento muito grande, muito robusto que colocaria o Brasil como um dos principais players da produção de imunobiológicos”, disse.

Mandetta disse que a produção seria em uma plataforma múltipla que poderia ser adaptada para produzir uma série de vacinas de acordo com a necessidade. “É uma tecnologia de última geração que inclusive daria condições para o Brasil fazer resposta rápida”, disse.
O ministro disse que quando houve o surto da gripe do tipo H1N1 não havia vacina suficiente para atender a demanda do Brasil, o que só foi obtido após o aumento da produção. “A gente precisa até por uma questão de soberania. Nós precisamos ser detentores dessa força-tarefa reposta. A gente sabe que é só uma questão de tempo que vai ter outro surgimento de vírus extremamente agressivo para a espécie humana”, disse.
O diretor de Bio-Manguinhos, Maurício Zuma, estimou que depois da definição da modelagem, a construção do complexo deve demorar três anos e a produção deve começar em 2024.

Dengue
A presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade, informou que além de vacinas que serão produzidas como febre amarela, a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e vacinas destinadas a populações negligenciadas, que são fundamentais, a fundação trabalha junto com o ministério na produção de kits diagnósticos. “Já temos kits para hepatite e para HIV. A hemorede é protegida. Tenho a boa notícia de que já tivemos a validação para o teste para dengue, zika e chikungunya”, disse.

Conforme Nísia, o kit da dengue vai identificar os quatro sorotipos da doença. “Isso é um grande avanço. É uma parceria de Bio-Manguinhos/Fiocruz com o Instituto de Biologia Molecular do Estado do Paraná, que nos deixa muito satisfeitos, porque são os dois lados. O diagnóstico preciso e a vacina que nos permita também fazer essa importantíssima prevenção”.

O ministro Mandetta disse que exite uma torcida para que o Instituto Butantan conclua a terceira fase do projeto de fabricação da vacina contra a dengue. “Se a gente tiver no ano que vem, pode ser um ano, não só para o Brasil, mas para o mundo inteiro, lembrando que todos esses projetos, tanto o da Fiocruz como o do Butantan, todo eles são do sistema Único de Saúde. É o SUS”, disse.
Mandetta disse que ainda não é possível avaliar se o kit da dengue poderá ser utilizado no próximo verão. “A gente certifica e depois tem que ver a escala de produção”, disse.

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