Rio João Mendes agoniza na Região Oceânica

Raquel Morais –

Um dos principais afluentes da Lagoa de Itaipu, o Rio João Mendes, continua sendo alvo de reclamações dos moradores da Região Oceânica. O local virou depósito de lixo, o mato não é cortado, a proliferação de animais, como roedores e mosquitos, é alta e as construções irregulares são alguns dos problemas detectados às margens do rio.

O rio tem de 7 a 8 quilômetros de extensão, começa em Várzea das Moças e corta vários bairros como Engenho do Mato, Santo Antônio, Serra Grande e desemboca na Lagoa de Itaipu. O córrego já foi alvo de muitas intervenções, como limpeza, vistorias contra construções irregulares, combate ao despejo irregular de esgoto e formação de língua negra. Mas, atualmente, o descaso do poder público chama atenção de quem mora perto ou passa todos os dias por um dos segmentos do rio.

É o que o comerciante Flávio Oliveira, de 52 anos, ressalta.

“Vejo pouco cuidado com esse córrego e isso me entristece. Acredito que a manutenção acontece umas duas vezes por ano no máximo. O mato fica muito alto e os mosquitos se proliferam, os ratos invadem as ruas e, em dias de chuva, dependendo da intensidade, o rio transborda”, contou o morador de Itaipu.

Com mais saudosismo, o aposentado Aníbal Mendes, de 80 anos, lembrou de quando pescava no Rio João Mendes.

“Eu pegava muito peixe nesse rio e lamento muito que hoje esteja tomado pelo esgoto. Já vi de tudo descendo e nas margens: sofá, geladeira e muito plástico. Acho que poderiam tampar algumas partes e construírem praças. Seria melhor do que o mato ficar alto e sem cuidado”, exemplificou.

O ambientalista Alex Figueiredo também comentou a pesca no riacho, que na década de 1980 tinha até camarão, além de estratégias para melhorar a qualidade das águas desse local.

“Esse rio tem diversos pontos de assoreamento e isso é motivo de muita tristeza pela natureza. Precisaríamos cuidar dele através do reflorestamento da mata ciliar. Isso impede o aporte de sedimentos e com isso não influencia na altura do rio, que consegue seguir seu fluxo normalmente”, contou.

Além da parte mais técnica o especialista também frisou os pontos básicos para diminuição da sujeira nos rios.

“É fundamental a ação de cada um jogando fora seu lixo corretamente, respeitando os horários e jamais jogar lixo na natureza. Cada cidadão tem uma responsabilidade individual e intransferível de respeito as normas de descarte de lixo. Quando não segue isso agrava os problemas das inundações”, completou.

A prefeitura informou que já está programada uma nova limpeza para o Rio João Mendes, mas não especificou uma data. Informou ainda que a Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (Seconser) que a última limpeza aconteceu no ano passado e foram retiradas aproximadamente 3.500 toneladas de lixo.

“Vale ressaltar que a foz do rio foi desobstruída há três anos, o que minimizou os impactos das chuvas nos pontos que mais alagavam, como a Rua Augusto Vieira Jacques e a esquina da Rua Adalgisa Monteiro e Avenida Ewerton da Costa Xavier. Além disso, é realizada constantemente a limpeza de toda a rede pluvial destes pontos”, concluiu a nota do governo municipal.

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