Retorno da “feirinha” das drogas na Brasília

Com medo de possíveis represálias, moradores da comunidade Nova Brasília, no bairro da Engenhoca, Zona Norte da cidade, denunciaram ao longo dessa semana para A Tribuna que um dos “pesadelos” que eles mais temiam voltou dentro da localidade: uma “feirinha de drogas”. De acordo com os denunciantes, a venda de drogas estaria ocorrendo, em meio a outro delito, a realização de um baile funk (segundo os moradores proibido), que tem dia e hora marcados, começando sempre nos fins das noite de sábado e se estendendo até as primeiras horas da manhã de domingo.Centenas de frequentadores, inclusive vindos de outras comunidades do estado, marcam presença no evento onde a venda de drogas dispara.

Segundo um dos relatos anônimos, “eles esperam os policais (PMs do 12º Batalhão) deixarem os locais de patrulhamento na área e aí começam a bloquear as ruas com veículos para dificultar a chegada do veículo blindado (o “caveirão”). Aí depois tem início o baile funk e a venda de drogas, que se estende até por volta das 08 horas da manhã. O som é ensurdecedor e inclusive já chegou a quebrar vidraças de residências. O baile ocorre no campo da Nova Brasília e os moradores não tem com quem reclamar. Nos sentimos constrangidos em sairmos ou chegarmos em casa em determinadas horas por causa disso. Não temos com quem reclamar”.

De acordo com os mesmos moradores, várias denúncias já foram encaminhadas para 12º BPM (Niterói) e para o Disque Denúncia (2253-1177), que através de sua assessoria de comunicação confirmou os relatos: “Nos últimos dois meses (período entre o dia 01/07/2018 e 30/08/2018), o Disque Denúncia recebeu diversas denúncias sobre tráfico de drogas no bairro Engenhoca. Muitas delas relatam sobre a ação de traficantes da comunidade da Brasília, também conhecida como Nova Brasília, localizada no bairro. Segundo o conteúdo das denúncias, traficantes que atuam na referida comunidade tem realizado bailes funk todos os sábados, a partir das 22 horas. Para a realização dos eventos, eles costumam fechar as ruas com barricadas, visando dificultar o acesso da polícia e limitar o fluxo de moradores nas ruas onde os bailes são realizados. Segundo informações recebidas e armazenadas no banco de dados do Disque Denuncia, os traficantes estão impondo toques de recolher aos moradores da comunidade, a partir das 21h30, principalmente nos dias em que ocorrem os bailes funk”.

O titular da Delegacia do Fonseca (78ª DP), delegado Luiz Henrique Marques Pereira, informou que há uma Investigação de sua equipe, que apura o tráfico de drogas na Engenhoca e que a primeira fase dessa investigação resultou na prisão da cúpula dos traficantes locais, como o conhecido como Pão com Ovo, apontado como líder do tráfico na Brasília, da esposa dele, e do advogado do casal. Também foram identificados outros integrantes importantes do trafico local, como o “gerente geral”, conhecido por Cascão (Carlos Alberto de Lima da Silva, o Ronca da Favela, e “segurança” de Cascão, conhecido por Peco (Renato Pereira da Silva Junior), o “gerente da maconha”, conhecido por Hula Hula (Paulo Henrique da Silva Aredes), todos foragidos, mas com Mandado de Prisão expedido com base nessa investigações. Atualmente a distrital investiga o envolvimento dos traficantes de menor expressão e o envolvimento do tráfico da localidade na produção dos bailes funks realizados ali.
Por sua vez, o 12º BPM emitiu o seguinte posicionamento: “O 12 BPM entende que a reclamação é pertinente, um problema crônico que assola diversos outros locais da cidade. Tem feito operações planejadas baseadas em dados da inteligência obtendo resultados positivos na comunidade citada.

Durante repressão a criminalidade no período dos últimos 3 meses foram realizadas diversas operações policiais militares que resultaram na prisão de 07 indivíduos , apreensão de 05 armas e grande quantidade de material entorpecente. Ações policiais militares visando a repressão a criminalidade seguem sendo planejadas e serão executaras pontualmente visando o bem estar e a segurança das pessoas de bem da comunidade”.

Alerta sobre o fato já havia sido
feito em agosto do ano passado

Em agosto do ano passado, A Tribuna já havia relatado na ocasião que, em meio a uma disputa de facções pelo controle do tráfico na região (apelidada de Fonsequistão), traficantes promoviam bailes funk com “convidados” de facção aliadas do Rio. Na mesma denúncia, já havia relatos que bandidos “vendiam entorpecentes numa grande banca para usuários e frequentadores do baile, carros eram usados para bloquearem a passagem em várias vias, e muitos moradores (com medo) tiveram de ficar trancados em suas residências”. À exemplo do que ocorreria nos últimos meses o serviço de denúncias do 12º BPM explicou que eles também teriam recebido um informe sobre a realização do tal baile e que as informações seriam checadas pela unidade”. Dois dias após essas denúncias, policiais militares do Grupamento de Ações Táticas (GAT) incursionaram na localidade e durante confronto dois suspeitos foram baleados.

Na manhã de sexta-feira, diversos homens fortemente armados foram flagrados em meio a centenas de pessoas que estavam num baile funk, que começou na noite de quinta-feira, na comunidade da Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. No baile que durou cerca de 12 horas bandidos cerculavam pelo local do evento, não autorizado pela polícia. A Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), informou que um homem que aparece na imagens registradas com um cordão de ouro e sem armas seria o traficante Renan Henrique Barbosa Campos, conhecido como RN, gerente do tráfico na Vila do João (também no Complexo da Maré). Ele havia sido baleado em outubro do ano passado e levado por uma ambulância da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Maré. Na ocasião, criminosos sequestraram um médico no veículo da unidade de saúde para que cuidasse do acusado.

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