Retomada econômica pode ser através da Economia Solidária

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam que 67% das empresas foram impactadas pela pandemia do coronavírus. E a possibilidade de uma retomada na economia pode ser através da Economia Solidária, já que o Cadastro Estadual de Economia Solidária mostra que no Rio de Janeiro existe mais de 1.200 empreendimentos desse tipo que envolvem cerca de 80 mil pessoas. E tem niteroiense contando nos dedos para a volta das feiras e encontros para discussão desse modelo de negócio.

A coordenadora Estadual de Economia Solidária e Comércio Justo, Angélica Hullen, explica que diante da falência das microempresas e empresas, os trabalhadores passam a se organizar em forma associações, cooperativas e de empresas de autogestão, por exemplo.

“Presenciamos também a união de vários produtores, bem como coletivos dos diversos segmentos, formando redes de cooperação para a comercialização e consumo dos produtos, criação de plataformas de vendas e eventos virtuais, para a diminuição dos custos, ampliação da divulgação, a fim de gerar aumento do consumo, e fortalecimento dos territórios onde estão localizadas essas redes, para que os recursos circulem nesse espaço e possam ser revertidos para aqueles que ali vivem e tiram o seu sustento”, frisou a também presidente do Conselho Estadual de Economia Solidária (CEEES/RJ).

As feiras estão proibidas desde início da pandemia e muitos artesãos estão ansiosos para a retomada das atividades. Esse é o caso de Maria Jurgleide, 63 anos, que é responsável pela feira na Praça da Amendoeira, em Itaipu, na Região Oceânica de Niterói.

“Eu organizo a feira e também faço parte dessa economia solidária. Faço barcos de madeira que encontro nas praias e as velas desses barquinhos são feitas de tecido, como retalhos que ganho muitas vezes. Temos uma preocupação com o meio ambiente e também o comércio que gira a economia. Mas temos outra forma de pensar nas comercializações”, frisou.

O economista Gilberto Braga explica que, em termos filosóficos, a economia solidária busca o equilíbrio entre a produção de bens e serviços e o consumo na sociedade como um todo.

“Inicialmente, nasce com viés mais voltado para uma fixação justa dos valores econômicos entre o preço de um valor ou um serviço e um reconhecimento pelo usuário e consumidor. Atualmente esse conceito vem sendo ampliado pela sociedade, compreendendo, de um lado, a cooperação econômica, como o compartilhamento de recursos, como insumos, espaços e recursos logísticos e financeiros; e, de outro lado, incorporando os aspectos de sustentabilidade ambiental, uma vez que não seria possível haver equilíbrio nas relações econômicas se o produto ou serviço gerado por uma rede solidária não for sustentável em relação ao meio ambiente”, explicou. “Numa negociação entre cliente e empresário os princípios da economia solidária levariam a que as partes encontrassem um ponto de equilíbrio entre seus interesses, de forma que o empresário diminuísse o valor do seu produto ou serviço, obtendo um lucro menor; e, enquanto que o cliente reconhecesse o valor do que está comprando, se dispondo a pagar um valor justo e não necessariamente o menor valor”, completou o especialista.

O SPC Rio criou uma plataforma virtual de vendas para diminuir os impactos negativos da falta de negociação por conta da pandemia.

“A oportunidade de realizar o comércio de forma virtual é uma maneira de escoar a produção em estoque, especialmente dos artesãos, que estão com muitos produtos aguardando a sua comercialização, bem como garantir a sua subsistência”, finalizou Angélica Hullen.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

13 − 7 =