Reportagem de A TRIBUNA esquenta debate na Câmara de Niterói

O vereador Douglas Gomes (PTC) afirmou ontem (7), durante uma sessão virtual da Câmara de Vereadores de Niterói, que caso seja retirado da vice-presidência da Comissão de Direitos Humanos, “estará sofrendo um golpe” contra suas posições políticas. A cogitação de sua saída ganhou força na reunião de líderes da última terça-feira (6).

Na sessão virtual de ontem, Gomes disse que foi surpreendido ao amanhecer com a notícia de A TRIBUNA, na qual o secretário de Esporte e Lazer, Luiz Carlos Gallo (Cidadania), afirma poder voltar à Câmara para fazer um combate político ao vereador bolsonarista. “Gallo diz que se for necessário, caso meu caso não seja resolvido, ele retornará à casa para cassar o meu mandato. Então deixo aqui o meu repúdio a esse posicionamento ao vereador Gallo que, além de ameaçar o meu mandato, coloca em xeque a Comissão de Ética da casa tentando fazer uma pressão externa”, afirmou.

Ainda durante a discussão de quarta-feira (7), Gomes comentou o Registro de Ocorrência feito pela vereadora Benny Briolly (Psol), a quem ele sempre tratou pelo pronome masculino, razão pela qual foi repreendido por diversos vereadores, inclusive aqueles que não são do Psol. “Estou sendo acusado de homicídio sem provas, não tem um vídeo, não há uma prova. Sou acusado de ter incitado pessoas a ter ido para cima da Benny” – ponderou, em um dos raros momentos em que se referiu à vereadora no feminino.

Douglas voltou a afirmar que estão querendo retirá-lo da Comissão de Direitos Humanos por divergência de ideias. “Fui acusado de tentativa de homicídio e ninguém repudiou a situação. Ninguém se manifestou. Está havendo um golpe contra a minha pessoa pela bancada do Psol e parte da bancada do PDT”, disse.

Para o presidente da Câmara, o vereador Milton Cal (PP) tudo deve ser feito seguindo o regimento interno. Ele explicou que, para retirar uma pessoa de qualquer comissão o parlamentar deve faltar três reuniões consecutivas ou cinco intercaladas. “Antes de tomar alguma definição, antes da retirada de qualquer vereador – e aqui não falo especificamente do Douglas – vou mandar para os gabinetes o regimento que rege essa temática para que todos revisem com seus assessores jurídicos para que a gente converse sobre isso na próxima reunião de líderes, na terça”, afirmou o presidente apontando que as preocupações da Casa devem estar voltadas para temas de combate à pandemia.

Sobre retirar alguém de uma comissão pelo seu pensamento político, Cal aponta que isso não está previsto no regimento e que ele não pode tomar uma decisão pela Mesa sem embasamento legal. “Eu penso que cada um tem os seus pensamentos, mas se porventura houver alguma razão, tem que ter o embasamento legal. Para esses casos existe uma comissão de ética na qual já tem um processo relativo ao Douglas”, concluiu.

BAIXARIA

No encerramento da Sessão, o vereador Fabiano Gonçalves (Cidadania) disse que aquela reunião plenária deve ser tida como exemplo do que não pode mais acontecer na Câmara de Vereadores de Niterói. Ele considerou um “descabimento” dois vereadores ficarem 90% do tempo em uma discussão que não tem provimento no Legislativo. “Essa é uma questão pessoal deles dois. A vereadora Benny e o vereador Douglas têm problemas, que eles vão resolver na Justiça e está com [falta de] decoro que vá para a Comissão de Ética. O que não dá é para a população de Niterói ficar vendo essa baixaria no plenário”, apontou.

Ainda de acordo com Gonçalves, a Câmara Municipal de Niterói é muito maior que esse debate.

“A gente não pode fazer disso uma plataforma política para se promover. Nós temos assuntos prioritários na cidade, pessoas estão morrendo, o comércio está fechado, o governo tem que dar uma porção de respostas e a gente perdeu aqui três horas, porque a gente não acrescentou absolutamente nada. A discussão da Comissão de Ética está no regimento, é só pegar para ler. Agora, não com falácia de vir achar que está fazendo muito. Nós não estamos aqui para isso e como líder da bancada do Cidadania repudio veementemente essa sessão da forma como ela foi feita, nós não estamos aqui para isso. A população de Niterói espera de nós uma resposta à altura daquilo que ele nos confiou no voto”, acrescentou.

GALLO

“Arma de vereador é Regimento Interno e Lei Orgânica, quando o comportamento inadequado e antiético é incompatível com o exercício da atividade parlamentar. Ou a lei prevalece ou eu volto para ajustar”. Essas foram as declarações do vereador licenciado Luiz Carlos Gallo, publicada na edição de ontem de A Tribuna, que causaram a indignação do vereador Douglas Gomes.

Após a sessão, Gallo disse que está bem claro que Douglas não quer legislar, mas sim criar tumulto, usando negacionismo. “A intenção dele é fazer política, para daqui a dois anos se candidatar. Quer pegar gancho para polarizar com algum vereador, só que ele não tem qualificação para ser representante da cidade” disse Gallo, que prosseguiu:

“No ano passado, foi feito um pacto entre oposição e situação para deixar as divergências ideológicas de lado e focar na pandemia. Só que o vereador Douglas parece querer legislar apenas para meia-dúzia de pessoas e não para a cidade como um todo, com 500 mil habitantes. A Câmara não pode servir de trampolim eleitoral. A Câmara é para atender os anseios da população. E nesse momento, o que tem que ser discutido é a pandemia, mantendo os bons costumes e a civilidade” – finalizou.

Marcelo Almeida

2 thoughts on “Reportagem de A TRIBUNA esquenta debate na Câmara de Niterói

  • 8 de abril de 2021 em 12:11
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    Esse vereador Douglas assim como o Presidente, estão negando a existência de uma pandemia que está afetando a todos, neste momento não adianta causar mais tumulto e brigas. Foi eleito na onda bolsonarista, pela Internet e pelo visto não irá apresentar nada de bom para a cidade de Niterói, só vai querer Gritar e acusar, justamente como foi eleito!! Muito fraquinho…

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  • 8 de abril de 2021 em 12:17
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    Douglas você não me representa!!! primeiro estude e veja por dentro como funciona a política para depois querer aparecer…

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