Reitores de universidades federais se reúnem em Niterói

Raquel Morais –

O auditório do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC), na Boa Viagem, recebeu alguns reitores de universidades públicas de vários estados do Brasil para apresentação do Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados Federais (GT). O encontro foi para apresentar o projeto que visa acompanhar e avaliar o sistema universitário brasileiro através de um relatório que está sendo elaborado. Corte de verbas do Ministério da Educação (MEC), sucateamento da universidade pública e a suposta ineficiência da consulta pública sobre o Future-se foram alguns temas debatidos na manhã de ontem.

O GT foi formado para elaborar um relatório com a real situação das universidades públicas do Brasil e esse documento abordará várias questões: gestão das instituições; acesso, permanência e sucesso escolar, atividades de ensino e compromisso da educação superior com a educação básica. “Queremos que cada representante de universidade proponha duas medidas para melhorar a educação e esse material vai compor o relatório. As universidades públicas estão com restrições orçamentárias e o grupo está fazendo essa análise. As representações nacionais são fundamentais para o diálogo, mas as representações locais também são. Precisamos de questões macro e micro para essa análise profunda”, contou a professora Eliane Superti, que é relatora do GT e representante da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

O deputado federal Chico D’Angelo também esteve no encontro e reforçou que as universidades estão em um momento muito difícil, fruto de cortes de recursos em empreendimento e custeio. “O cenário para segundo semestre é dramático com dificuldade inclusive no pagamento de contas básicas. A Câmara [dos Deputados] está acompanhando esse problema no Brasil todo. E o GT está auxiliando nesse diagnóstico”, contou.

No encontro em Niterói, que tem três grandes redes de ensino federal: Universidade Federal Fluminense (UFF), Colégio Pedro II e Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFRJ); também foi conversado sobre o projeto Future-se, que está em fase de consulta pública. Segundo o MEC, o novo programa tem como objetivo aumentar a eficiência e estimular a inovação da educação superior pública no país. O Future-se é um programa para dar mais liberdade para as universidades e institutos poderem fazer o trabalho bem feito. Porém, a implantação do projeto é questionada pelo meio acadêmico como uma possibilidade, muito próxima, de privatização do ensino.

“A comissão anterior propôs a flexibilidade do gasto com receitas próprias e está tramitando uma emenda para que o teto acabe. Temos que trabalhar com o poder do convencimento e tememos que as universidades não poderão usar recursos de parcerias próprias”, sintetizou o ex-reitor da UFF, Roberto Salles.

O reitor do IFRJ, Rafael Almada, explicou que o relatório será de extrema importância para reunir todos os problemas, pequenos e grandes, de todos os polos das universidades e escolas federais. “Precisamos expor essas questões. O próprio IFRJ vem em um processo de expansão muito grande e temos a estrutura de 2010 em termos orçamentários, sendo que atualmente temos 15 campi enquanto em 2010 tínhamos quatro. A estratégia, como algumas outras, tem sido de pouco diálogo. Poderia ser feito de maneira diferente”, frisou sobre o Future-se.

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