Reitor da UFF confirma que a universidade só tem recursos até agosto

Em reunião com os membros do Conselho Universitário, o reitor da UFF, Antônio Cláudio da Nóbrega, confirmou que a universidade tem recursos para funcionar até agosto. No final de maio, ele informou que a instituição poderia parar em julho, devido ao contingenciamento de verbas do governo federal. Terceirizados continuam com salários atrasados por dois meses e sindicatos, associações, alunos e professores estão captando doações de alimentos e materiais de higiene. A intenção para ajudar cerca de 350 trabalhadores que estão nessa situação. O Sindicato dos Trabalhadores em Asseio e Conservação em Niterói e Região (Sintacluns) marcou para a próxima segunda, 1 de julho, às 7h uma assembleia na Reitoria da UFF para definir se a categoria entrará em greve ou não.

Segundo o reitor, a UFF precisa de R$ 16,7 milhões mensais para arcar com as despesas de custeio, como água, luz, telefone, contratos com empresas terceirizadas, entre outras, mas, devido ao bloqueio, tem apenas R$ 6,85 milhões por mês. Ou seja, 46,5% do previsto no orçamento deste ano, de R$ 169 milhões, sendo R$ 14,1 milhões mensais. No começo do semestre, a UFF cortou despesas estimadas em R$ 35 milhões anuais para se adequar ao recurso disponível, como eliminação de todos os celulares institucionais, revisão de contratos, redução do transporte e enxugamento administrativo. Antes do bloqueio, a universidade já recebia financeiro menor do que o necessário, na ordem de R$ 9,8 milhões por mês, o que prejudicava os pagamentos e a prestação dos serviços, segundo o reitor. No ínicio do mês, Antônio Cláudio foi até Brasília pedir ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, o descongestionamento dos recursos. Em vão.

PONTO ELETRÔNICO
Na última quarta-feira a UFF iniciou o cadastramento dos dados biométricos obrigatório para todos os técnicos-administrativos nas unidades acadêmicas e administrativas de Niterói, que será encerrado em 9 de julho. A iniciativa obedece, segundo a Reitoria, a decisão da 4ª Vara Federal da Niterói, que determina a implantação do ponto eletrônico. O servidor deverá levar sua carteira funcional (com foto e matrícula SIAPE legíveis) ou documento com foto e contracheque. O início do registro eletrônico acontecerá em período de adaptação a partir de 15 de julho.

Um dos diretores do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFF (Sintuff), Pedro Rosa, contestou essa iniciativa. Os trabalhadores questionam o funcionamento desse equipamento e muitas manifestações foram feitas contra essa medida. A UFF recorreu, mas, perdeu a ação, que foi movida pelo Ministério Público Federal (MPF).

VIGIAS AINDA RECEBEM DOAÇÕES
Os vigias terceirizados da UFF além de funcionários da limpeza e conservação, que totalizam 350 trabalhadores, estão sem salários e benefícios, como vale-alimentação, há dois meses. Eles trabalham através da empresa terceirizada Croll e o pagamento de maio e junho ainda não foi acertado. “A situação está dramática e muitas pessoas estão ajudando com doações de alimentos para que esses trabalhadores não passem fome. Ficamos sabendo que o dinheiro da universidade está bloqueado. Isso não pode acontecer. Vamos conversar na próxima segunda-feira e vamos decidir se cruzamos os braços ou não”, esbravejou o diretor jurídico do Sintacluns, Nézio Francisco, conhecido como ‘Marcinho’.

“Estamos muito tristes com isso que está acontecendo com a gente. São trabalhadores que estão sendo quase despejados de suas casas alugadas, são amigos que estão vivendo de doação de comida de alunos e professores da UFF. Não sabemos como esse problema será resolvido e estamos no meio dessa crise sem ter como nos defender”, lamentou o vigia que trabalha no campus Gragoatá, Adriano Marques, 49 anos.

A Associação dos Docentes da UFF está recebendo doações de alimentos e de itens de higiene pessoal para repassarem para esses trabalhadores que estão sem salários. “Atrasos nos salários e demissões de terceirizados não são situações novas na UFF, mas estão se agravando mais e mais com os cortes no orçamento. Além de lutar para reverter esses cortes, a Aduff se solidariza com os trabalhadores terceirizados sem salário e/ou demitidos que passam por enormes dificuldades financeiras. A Aduff corrobora com as ações de solidariedade que já estão acontecendo em toda a Universidade e se soma como ponto de coleta e de entrega de doações”, destacou a presidente da Aduff, professora Marina Tedesco. As doações podem ser entregues na sede associação, que fica na Rua Prof. Lara Vilela, 110 em São Domingos.

A Croll foi procurada através de contatos telefônicos mas nenhuma ligação foi atendida. O Ministério da Educação (MEC) também foi questionado mas também não se manifestou. A UFF também não se posicionou.

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