Regina Bienenstein fala dos desafios de atuar na Câmara de Niterói por 60 dias

Futura vereadora substiturá Paulo Eduardo Gomes, afastado após crime de homofobia

Assim que a Câmara Municipal de Niterói voltar com os trabalhos após o recesso parlamentar do meio de ano, a partir do próximo dia 2, um novo rosto vai ocupar uma das 21 cadeiras. Trata-se da arquiteta Regina Bienenstein, de 77 anos. Professora titular do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense, ela também participou da criação e atualmente é a coordenadora do Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos da Universidade Federal Fluminense (NEPHU/UFF).

Filiada ao Psol, ela teve 2053 votos na eleição de 2020 e disse que já estava preparada para “assumir a qualquer momento” uma vaga na Câmara. Além disso, promete “honrar junto a eleitores, companheiros e companheiras de partido” a responsabilidade, mesmo em um período curto. E já definiu a luta por moradia como uma das prioridades do breve mandato.

“Não escolhemos a situação nem o momento que assumimos a vereança, nem o tempo que ficaremos na casa. Sabemos que é muito pouco tempo, mas durante toda minha vida acumulei uma história na luta pelo direito à moradia e à cidade. Temos repetidamente apontado a grande desigualdade encontrada em Niterói, tanto em termos da realidade presente nos espaços da cidade, onde encontramos mais de 40 mil moradias em assentamentos populares precarizados”, explicou Regina.

Opinião

Questionada sobre o incidente envolvendo o colega de partido, a nova parlamentar não se furta em comentar a respeito do episódio. Sincera, ela classificou o ocorrido como “infeliz”, e reconhece “que não dá para não admitir que Paulo Eduardo errou”. Ao mesmo tempo, Regina se mostrou solidária à Verônica e opinou também sobre o fato ter sido praticado por alguém de um partido conhecido por defender a população LGBTQIA+.

“Pessoalmente, eu gostaria de assumir em outras condições, que não essas e que o Paulo não tivesse proferido tais palavras contra a Verônica e às mulheres, LBGTs e negres que se sentiram atingidos indiretamente por suas palavras. Mas temos o dever de nos educar coletivamente a não reproduzir as opressões que queremos destruir”, opinou Regina.

Comissões – Além de ocupar a cadeira na Câmara, Regina também assumirá a vice-presidência na Comissão Permanente de Saúde e Bem-Estar Social e será integrante da Comissão Permanente de Fiscalização Financeira, Controle e Orçamento. Em ambas as comissões ela pretende, segundo a parlamentar, dar sequência ao trabalho que o colega vinha fazendo. E destacou o que pretende fazer nos 60 dias que estiver como vereadora.

“Estamos organizando uma sequência de requerimentos ao Executivo Municipal para determinar como a pandemia impactou na nossa cidade. Nossa desconfiança é que ela impactou de forma desigual e como vem acontecendo há muitas décadas no Brasil, os pobres já começaram a pagar a conta. São eles que entram no desemprego e voltam para a faixa da fome. A Comissão tem o papel mostrar as consequências da pandemia”, explica.

A respeito da participação na Comissão de Orçamento, a arquiteta declarou que a Câmara precisa ter mais “responsabilidade fiscal, ou seja, que tenha responsabilidade social” para enfrentar problemas como “saneamento urbano especialmente nas áreas populares, produção habitacional, ampliação da rede saúde e educação, entre outros”.

Conversa com CAL

Embora ela ainda não tenha tido uma conversa com o presidente da Câmara, vereador Milton Cal (PP), a futura vereadora declarou já conhecê-lo e, principalmente, o que pretende discutir quando se reunir com ele. A transformação do famoso “Prédio da Caixa” em uma moradia popular.

“Estamos construindo um Plano Popular, uma proposta que transforma esse edifício em um modelo de habitação de baixa renda no centro da cidade. Estamos tentando convencer Milton Cal que isso é possível. Essa proposta irá atender a um direito dos moradores que foram de lá brutalmente despejados, em 2018, e até hoje não conseguiram uma solução definitiva de moradia”, explica a arquiteta, que citou o falecimento de uma das moradoras, a dona Suely, vítima de uma pneumonia por não conseguir vaga em um abrigo.

O futuro de PEG – O que será do vereador Paulo Eduardo Gomes ainda é um ponto de interrogação. A Comissão de Ética da Câmara ainda não analisou qual ação tomar por causa do recesso parlamentar. Apenas com a volta dos trabalhos é que deve acontecer um debate sobre o assunto.

Em contato feito por A Tribuna, a 76ª Delegacia de Polícia, localizada no Centro, ao lado da Câmara, e responsável pelo registro da ocorrência feita por Verônica Lima, informou que ouviu o depoimento de Paulo Eduardo Gomes e que irá encaminhar o inquérito para o Juizado Especial Criminal (Jecrim).

Gabriel Gontijo

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