Região Oceânica não tem hospital público de alta complexidade

Além dos problemas de mobilidade urbana, com excesso de congestionamentos, quem mora na Região Oceânica de Niterói também enfrenta uma questão perigosa: a ausência de um hospital de urgência e emergência de alta complexidade da rede pública. A região conta com o Hospital Municipal Oceânico Gilson Cantarino, que é destinado apenas para casos de Covid-19, e o antigo Hospital Municipal Mario Monteiro; que agora é Unidade Municipal de Urgência Dr. Mário Monteiro, ambos da rede municipal.

De acordo com o Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Região Oceânica conta com 65 mil habitantes e a ausência de um hospital público para atendimento de casos graves preocupa os moradores. Se uma pessoa precisar de atendimento de alta complexidade é preciso ser levada para o Hospital Estadual Azevedo Lima (Heal), no Fonseca, na Zona Norte de Niterói.

O administrador José Augusto, de 59 anos, concorda que a região deveria ter um hospital grande e que atenda casos graves. “Eu não tenho mais plano de saúde e essa situação é terrível. A região pede um equipamento assim. Na verdade temos que rezar para não passar mal”, contou o morador de Itaipu.

“Como membro da comissão de Saúde da Câmara Municipal de Niterói tenho observado esta situação e venho buscando diálogo com o poder executivo para que a Região Oceânica receba projetos voltados para área de saúde, em especial, os que possam reduzir o tempo de atendimento médico aos que são vítimas de acidentes e necessitam muito além do que os primeiros socorros”, disse o vereador Renato Cariello.

O Sistema Único de Saúde (SUS) divide o atendimento em três níveis de atenção: Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou postos de saúde (primário), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou hospitais e outras unidades de atendimento especializado ou de média complexidade (secundário) – Estado) e Hospitais de grande porte e alta complexidade subsidiados (terciário).

A Secretaria Municipal de Saúde de Niterói esclareceu que os tipos de atendimentos e tratamentos de saúde são estabelecidos de acordo com as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Casos de alta complexidade, como trauma, tratamento cardíaco e outros, são atendidos por unidades estaduais e federais. Aos municípios cabe o atendimento de baixa e média complexidade. A SMS informa que as unidades municipais de urgência e emergência, como a Unidade de Urgência Mário Monteiro, realizam o primeiro atendimento, estabilizam o paciente, e caso necessário ocorre a transferência para uma unidade de alta complexidade. Portanto, o município atende casos de trauma ou infarto, como citado. Há um projeto de reestruturação e investimento para as unidades de saúde com objetivo de qualificar os atendimentos, aprimorando os serviços oferecidos à população.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) foi questionada sobre os assuntos dessa reportagem, sobre a possibilidade de criação de um hospital de alta complexidade na Região Oceânica; mas não se manifestou.

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