Região concentra quase 10% dos roubos de carga do Estado

O que teria iniciado com números quase que inexpressivos alguns anos atrás tornou-se em pouco tempo um dos maiores desafios das polícias Civil, Militar e Federal na atualidade: a incidência de ocorrências de roubos de cargas. Mais que isso. Juntas, cidades como São Gonçalo, Niterói, Itaboraí, e Maricá já respondem por estatísticas alarmantes, que apontam para quase 10% (9,91%) das ocorrências registradas no triste ranking do estado, apurado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), em parceria com o Instituto de Segurança Pública (ISP), relativos aos anos de 2011 até o ano passado. Os números das quatro cidades somam 3.122 ocorrências, da totalização de 31.506 computadas no ranking do estado.

Em São Gonçalo, por exemplo, o crescimento dos números avançam estarrecendo até mesmo os mais leigos sobre o assunto. De acordo com o estudo Firjan/ISP, em 2011 São Gonçalo teve 300 registros de roubos de cargas. Na sequência (2012), a estatística passou para 364, em 2013 uma queda para 233, mas em 2014 voltou a subir para 461 registros. Em 2015 a totalização foi de 377 e no ano passado, 786, ou seja, a ação das quadrilhas de roubos de cargas no biênio mais que dobrou, 108,4% de crescimento. A totalização foi de 2.521 registros nos seis anos. O levantamento do mesmo período colocou a cidade de São Gonçalo em 3º lugar na triste estatística do gênero, na qual Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, aparece com 3.761 ocorrências, e a cidade do Rio, com 17.611 ataques.

Nos quatro primeiros meses de 2017 (janeiro a abril), segundo o ISP, São Gonçalo já apresentou 427 ocorrências de roubos de cargas (janeiro-107, fevereiro – 59, março – 112, e abril – 149), num ritmo que, caso não seja contido com ações policiais adequadas, pode terminar com uma totalização ainda maior que 2016.

Se São Gonçalo está em terceiro na incidência de roubos de cargas, Niterói aparece em 11º no alarmante levantamento, com 305 ocorrências no mesmo período, Itaboraí em 12º, com 229 registros, e até a ‘pacata’ Maricá apareceu em 18º, com 68 registros. No levantamento até o ano passado, as três cidades ainda apareciam com totalização anual de dois dígitos. O número de ocorrências das três cidades de 2011 a 2016 (602) não supera sequer o total de registros de São Gonçalo do ano passado (786).

“A maior incidência desse tipo de crime é na Rodovia Niterói-Manilha (BR-101). Essa carga é transportada e levada para dentro do Complexo do Salgueiro. Temos nos empenhado para minimizar essas ações. Não é fácil. Pelo lucro rápido (mais do que do tráfico) os criminosos estão passando a atuar dessa forma. Como eles levam a carga para dentro do Complexo do Salgueiro, o trabalho de repressão fica ainda mais difícil”, explicou o comandante do 7º Batalhão (São Gonçalo), coronel Ruy França. Ele acrescentou que muita gente pensa que os criminosos envolvidos no roubo de cargas distribuem as mercadorias para a comunidade. “Por trás disso está outro crime, que é a receptação de mercadorias, pois os marginais revendem os produtos para receptadores. Não é uma novidade para nós. Estamos nos empenhando através de operações (várias em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal/PRF), como na última quinta-feira”, relatou.

França complementou que o crime de roubo de carga passou a ser uma das prioridades do combate a violência em São Gonçalo. “Está no rol das prioridades atualmente. Não há migração de criminosos do Rio para a roubo de carga na região. O que existe é que marginais da cidade estão em contato com outros do Rio, e esses estariam instruindo os criminosos que atuam em São Gonçalo sobre algumas técnicas, como uso de equipamentos para bloqueio de sinais de rastreamento e de abordagem. Já estamos monitorando quem seriam os líderes das quadrilhas que atuam na cidade”, concluiu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4 × 3 =