Reflorestamento no Morro do Boa Vista entra em nova fase

Raquel Morais

O Morro do Boa Vista, no Centro de Niterói, está passando por um projeto de reflorestamento desde 2005. Porém este ano o processo ganhou mais força e entrou em uma nova fase. Ao todo são 224 mil metros quadrados que estão sendo plantados com mudas nativas da Mata Atlântica. E desde semana passada a coordenação do projeto, que é executado pela Companhia de Limpeza de Niterói (Clin), está usando um drone para mapear e cadastrar os chamados bolsões de lixo. Ao todo quatro já foram identificados e após esse levantamento um novo estudo será elaborado para dar destino correto ao lixo dessa comunidade.

O engenheiro florestal da Clin, Luiz Vicente Peres, é o responsável técnico pela produção de mudas e pelo reflorestamento do local. Ele explicou que esse projeto foi desenvolvido em 2005, através de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em que a prefeitura teria que fazer um trabalho sobre os impactos ambientais do Morro do Céu. Mas o reflorestamento naquela área não foi possível pela ocupação urbana no local e ficou acordado na escolha de outro lugar, e foi nesse contexto que o Morro do Boa Vista foi o escolhido.

O Morro do Boa Vista sempre foi uma área muito degradada, inclusive com exploração de pedreira e queima de lixo irregular. Mas desde 2005 o projeto de reflorestamento vem mudando esse cenário. Em 2013 ganhou força e desde então milhares de hectares já foram replantados.

“Esse é um trabalho devagar e que precisa do apoio de todos. Temos uma área que está sendo desenvolvida e já recuperamos uma boa parte do morro. Também temos um trabalho de cooperação técnica com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e uma equipe fixa de 10 pessoas da Clin que trabalham de domingo a domingo no plantio, roçado e manutenção das mudas”, frisou Luiz.

Atualmente, além do plantio, está sendo feito o levantamento dos lixões no morro.

“Estamos com apoio de um drone para essas imagens. E após descobrirmos esses lugares, e já achamos quatro, vamos ter que discutir onde acondicionar esse material. Temos que eliminar esses focos que liberam o chorume, que prejudica o meio ambiente, além do mau cheiro e proliferação de animais como roedores e moscas”, frisou Luiz.

A estagiária de engenharia agrícola da UFF, Joice Azeredo, faz parte do projeto e identifica inclinação da área, analisa o solo, faz a correção do solo e adubação, além do plantio propriamente dito.

“Temos um projeto junto com o Programa de Educação Tutorial da UFF e implementamos algumas coisas técnicas que aprendemos na área do reflorestamento. E com isso a gente faz o plantio de algumas mudas, através de setores que dividimos para facilitar o trabalho, já que a área é muito grande”, contou.

Ao todo são 22 hectares de área que representam 224 mil m², um canteiro com 170 mil mudas e mais de 250 espécies, em sua maioria da Mata Atlântica; por exemplo: Pau-brasil, Orelha de Macaco, Pau Ferro, Péroba além de árvores frutíferas como jabuticaba, cajú e pitanga. O aposentado Ezequiel Gongora, 72 anos, também faz parte de um grupo de voluntários que ajudam a Clin nesse plantio.

“Eu estou entrando nesse projeto agora e estou apaixonado. Quero ajudar nesse reflorestamento e amo cavar a terra e plantar desde criança. É bom contato com a natureza e sinto que estou contribuindo para o meio ambiente. Eu sou corredor de montanha e não posso só usar ela para minha atividade e é meu dever cuidar do meio ambiente. Tenho que ajudar na manutenção”, finalizou.

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