Redes sociais ameaçam hegemonia da TV aberta, diz especialista

Anderson Carvalho –

Embora a TV aberta ainda seja a principal fonte de informação dos eleitores brasileiros, as redes sociais têm crescido muito nos últimos anos e poderão influenciar as próximas eleições e futuramente até a suplantar as mídias convencionais. A situação chegou ao ponto da grande preocupação do Tribunal Superior Eleitoral e de veículos de comunicação do país com as chamadas “fake news”.

A Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar do IBGE contabiliza que “entre os usuários da internet com 10 anos ou mais de idade, 94,6% se conectaram via celular”. Nas mídias sociais, diferente da TV e do rádio, que transmitem o horário eleitoral gratuito, a comunicação é individual e permite interatividade.

Segundo o cientista político Geraldo Tadeu Moreira Monteiro, do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro), que acompanha eleições há mais de 20 anos, a campanha eleitoral deste ano será diferente da dos pleitos anteriores.

“São mais de 110 milhões de brasileiros com acesso à internet, mais da metade da população brasileira. Mais de 58 milhões têm perfil no Facebook e 23 milhões no WhatsApp e Instagram. Muitas pessoas passaram a acompanhar as campanhas eleitorais pelas redes, o que aumentou a sua influência. Porém, a televisão está presente em 98% dos lares brasileiros. Ainda é o principal meio pelo qual as pessoas se informam. Não só pelo horário eleitoral gratuito, como também pela cobertura jornalística. A TV fala para todo mundo indistintamente. Tem um alcance muito maior e mais credibilidade. Muita gente desconfia do que é veiculado na internet, até por conta das fake news. O conteúdo da TV tem um filtro muito maior”, avalia o cientista político.

Para Geraldo Tadeu, o fácil acesso das redes sociais e o seu baixo custo proporcionaram maior uso delas por políticos que têm pouco tempo no horário eleitoral gratuito e querem se aproximar mais do eleitorado jovem.

“A campanha é muito curta. São apenas 45 dias. O Fundo Eleitoral tem que ser dividido entre todos os partidos e candidatos. Acaba sendo pouco para todo mundo. Então, botar um perfil nas redes e fazer propaganda acaba sendo mais barato. Uma forma de driblar a falta de recursos. Muitos candidatos têm equipe pequena”, observa o especialista.

O cientista político Márcio Malta, da Universidade Federal Fluminense, acredita que as redes sociais, futuramente, podem suplantar a influência da TV aberta sobre os eleitores.

“Os candidatos ainda fazem alianças com diversos partidos visando ter bastante tempo de TV no horário eleitoral. Acreditando que quanto maior a exposição, mais chances de serem eleitos. Porém, temos visto candidatos que não fizeram grandes alianças e terem muita popularidade nas redes, fazendo bom uso delas e estando bem nas pesquisas. Porém, muitas das postagens não são espontâneas, mas, pagas. Candidatos injetam dinheiro para elas serem mais veiculadas e mais vistas. No Facebook acontece muito. Acredito que as redes podem suplantar a TV aberta como maior influência para os eleitores futuramente. A importância é crescente. Elas atingem um público mais jovem”, aponta Malta.

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