Raridades sempre lembradas

Raquel Morais –

Cabeça de bacalhau, enterro de anão, moeda de R$ 0,01. O que esses três têm em comum? Eles existem, mas dificilmente alguém percebe. As moedas de R$ 0,01 praticamente desapareceram do mercado, apesar de não terem sido recolhidas oficialmente pela Casa da Moeda. Essas pequenininhas foram fabricadas até 2004, quando cunharam a segunda família e distribuíram 1.200.336.192 de unidades, feitas em aço revestido de cobre com exatos 2,43 gramas. Somadas com a primeira leva, atualmente teriam que estar em circulação exatas 3.191.190.250 moedas de R$ 0,01, segundo o Banco Central.

O colecionador Fernando da Costa, de 66 anos, disse que essas moedinhas têm valor irrisório quando o assunto é coleção. “Essas moedas não são de valor, pois somente a que tem o reverso invertido e horizontal custam um pouco mais. De acordo com o catálogo de 2012 do Livro das Moedas do Brasil, a da primeira família custa R$ 1,50 e da segunda, R$ 2”, comentou o niteroiense. A paixão pela coleção começou há mais de 30 anos quando um tio faleceu e deixou algumas moedas para Fernando. “Eu comecei a me interessar por esse mundo e me apaixonei. Estou sempre me atualizando, em busca de novidades e participando de feiras de antiguidades para achar algumas preciosidades”, completou.

O dono de um bar no Centro de Niterói disse que certa vez um cliente ofereceu comprar moedas de R$ 0,01 por R$ 1. “Minha esposa conseguiu achar dez moedinhas e ele pagou R$ 10 para ela. Quando fizemos a troca eu perguntei, por curiosidade, para que ele queria as moedinhas e ele disse que um bar em São Gonçalo vendia um balde com dez cervejas por dez moedas de R$ 0,01”, comentou Francisco Santos, 56 anos.

O gerente de uma loja no mesmo bairro, Manoel Barbosa, de 26 anos, disse que não tem uma moeda de R$ 0,01 no caixa. “A maioria dos clientes não fazem questão do troco nesse valor. Mas sempre tem um mais exigente e nesses casos eu dou R$ 0,05. Tenho que perder R$ 0,04 para o cliente sair satisfeito da loja”, contou.

Pelo Código de Defesa do Consumidor, se não há troco para fornecer, a empresa é obrigada a arredondar o preço para baixo, ou seja, favorecer o comprador. “Fixar preço quebrado é uma decisão da empresa. Se ela não pode dar o troco, o consumidor não pode ser penalizado. Ele não é obrigado a aceitar bala, por exemplo, tem de ser usada moeda corrente”, afirma o Procon.

Desta forma, se o produto custa R$ 1,99 e a empresa não possui moeda de R$ 0,01 centavo para dar de troco a uma cédula de R$ 2, deve cobrar R$ 1,95. E se não possuir também moeda de 5 centavos, deve cobrar R$ 1,90 e assim por diante.

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