Racha em Búzios

Wellington Serrano –

Na tarde da última quinta-feira (31), a reportagem de A TRIBUNA entrou em contato com o vice prefeito de Búzios, Henrique Gomes (PP) e na oportunidade ele confirmou o seu afastamento político do prefeito André Granado (MDB), motivado por várias e profundas divergências de opinião em relação à administração municipal, com as quais não pode concordar.

Um dos principais motivos foi a invasão arbitrária de sexta para sábado, às 4h da manhã, de André na Prefeitura. “Causou uma loucura. Não entendi a atitude dele, que trocou as fechaduras e deixou os servidores esperando na frente da Prefeitura a manhã toda sem explicações, sem saber se poderiam ou não trabalhar. Aguardando por decisões com todo o sistema parado”, lamentou.

A essa atitude, Henrique classificou próprias de alguém em ‘desequilíbrio mental’. “Não entendo os motivos de André, em tomar esse tipo de atitude, poderíamos ter conversado. Ele retornaria às suas funções de prefeito e eu voltaria a exercer, como sempre fiz, meu cargo de vice-prefeito. E se alguma das ações que realizamos, atendendo à recomendação do MP e a ordem da justiça, que determinou o chamamento obrigatório dos concursados de 2012, não estivesse dentro do que o prefeito acreditava que devesse ser feito, que refizesse, desfizesse, mas não dessa forma, do jeito como tudo foi conduzido”, criticou Henrique.

Pesou também em sua decisão, sua não concordância com várias decisões tomadas pelo chefe do executivo, que colocam em risco a integridade do município, principalmente as relacionadas à manutenção, no quadro de secretariado, do fechamento do hospital e escolas, sem quaisquer tipo de comprometimento com os buzianos. “Não posso compactuar com o que estava havendo nas blitz, por exemplo, em que os turistas viviam tendo seus carros apreendidos e sobre os concursados: tinha uma ação em movimento, chamei os que podia, e ainda tem que chamar os concursados da Educação. André precisa chamar esses concursados sob pena de se complicar ainda mais. Era preciso cumprir a sentença da Justiça, e eu cumpri. São 90 vagas para a Saúde, 39 para outros setores e 90 para a Educação, que só seguramos um pouco para chamar próximo ao recomeço do ano letivo”, disse Henrique.

Ele ainda explicou o que realmente levou ao pedido de demissão do então secretário de Governo e Fazenda Kleber Ferreira durante a sua gestão. “Se demitiu no momento em que estava vencendo o prazo de uma auditoria interna em que tinha que assinar pelo desvio de mais 87 milhões de reais. Ele teria que assinar a responsabilidade, de um pagamento sem empenho, então ele se demitiu. O Kleber tinha que resolver e não resolveu. Perguntei como resolveria esse desvio, e ele se demitiu. Encaro isso como desvio de verba. A lei de responsabilidade fiscal não permite que você pague nada sem empenho. E esse empenho nada mais é do que encaixar o orçamento nas rubricas corretas. Não havia as dotações corretas. Mesmo tendo o dinheiro, sem dotação não pode pagar. E eles pagaram”, lamentou.

A reportagem entrou em contato com o Prefeito André Granado e até o fechamento desta edição, não respondeu nosso telefonema, André alegou estar no consultório.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

nove + 1 =