Quiosqueiros de Charitas podem ser despejados

Wellington Serrano –

Os 25 quiosqueiros da Praia de Charitas, na Zona Sul de Niterói, correm o risco de serem despejados. Uma notificação do Ministério Público Federal (MPF), entregue na semana passada, solicita que os donos dos comércios desocupem os imóveis em 90 dias, por serem ocupações irregulares. Os quiosqueiros negam que estejam ilegais e garantem lutar para se manter no espaço. Um encontro com vereadores acontece, na noite desta terça-feira (11), no quiosque sete para um debate sobre as licenças.

“Estamos aqui há 30 anos, todos nós temos documentos em nossos nomes e com direito a permissão da Marinha. Não somos ocupações irregulares. Sou nascida e criada à base de muito trabalho neste local”, alega a filha de um permissionário que não quis se identificar.
A comerciante Regina Silva, vice-presidente da Associação dos Quiosqueiros de Charitas, representa os quiosques e adianta que vai tentar suspender as determinações do MPF na justiça. “Vamos expor nossas dificuldades para os vereadores e estamos ainda entrando com medida cautelar para suspender a desocupação até que aconteça o julgamento do mérito”, disse.

Os quiosqueiros se defendem e dizem que respeitam todo o limite determinado para colocar mesas e cadeiras. “Antes a reclamação era essa, de que nós não deixávamos espaço na calçada para uso dos frequentadores. Hoje, os banhistas encontram espaço para se acomodar e qual é o problema agora?”, indaga uma proprietária que também não quis aparecer.

O vice-presidente do Conselho Comunitário da Orla da Baía, Carlos Augusto Valdetaro se posiciona contra a posição do MP federal.
“O problema é que existem tratamentos diferenciados. Os quiosques não são os únicos que ocupam área da União. Eles já estão na praia há anos. Muitas famílias ganham a vida com esse trabalho. Não pode ser uma decisão leviana”, realça.

Caso do garçom Arlindo Santana Marins, que trabalha no local há cinco anos e está preocupado. “Há cinco anos fizemos abaixo-assinado para defender as mudanças. Só queremos ter o direito de continuar trabalhando”, lamenta.

Alguns comerciantes alegam que os despejos atendem interesses obscuros, mas não quiseram entrar em detalhes. A Prefeitura de Niterói não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta edição.

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