Quintal de Ana: Há 20 anos viabilizando adoções em Niterói e em todo Estado

No terceiro capítulo da série de reportagens sobre instituições de apoio e acolhimento a crianças desamparadas, o jornal A TRIBUNA traz um pouco da história daquela que pode ser chamada de referência na aproximação de famílias que desejam adotar com as crianças que buscam o lar. O Quintal de Ana, localizado em São Francisco, Zona Sul de Niterói, desempenha, há mais de 20 anos, essa função.

Fundadora da associação civil, Bárbara Toledo relembra há mais de duas décadas, quando adotou sua filha, Ana Laura. Este gesto, tão belo, acabou sendo preponderante para que Bárbara decidisse estruturar uma série de atividades para facilitar o processo de adoção, fazendo muito mais do que uma aproximação entre as famílias e os antigos abrigos, mas sim elaborando todo um processo de preparação, para todas as partes envolvidas.

“O Quintal de Ana é uma associação civil sem fins lucrativos, que foi fundada a partir da adoção da minha filha, Ana Laura. Estamos caminhando para o 21º ano de fundação. Ela surgiu inicialmente como um grupo de apoio às famílias adotivas, no trato das questões afetas á adoção, do período de adaptação coma chegada da criança, construção e fortalecimento dos vínculos familiares, elaboração da identidade da criança como filho adotivo e superação de eventuais preconceitos”, contou Bárbara.

A fundadora da associação explica como funciona o Quintal de Ana. Atualmente, uma das principais atividades desempenhadas no local é o curso de preparação e reflexão para adoção, que tem como objetivo orientar as famílias que desejam adotar uma criança. Adotar vai além de ir a uma instituição de acolhimento e escolher uma criança para viver consigo. Requer toda uma preparação especial, para que tudo transcorra da melhor maneira possível, tanto para as crianças quanto para os pretendentes.

“O Quintal, a partir dessa iniciativa, começou a ser procurado por pessoas interessadas em adotar que estavam carentes de informação, orientação e, a partir daí, o Quintal organizou e estruturou um curso de preparação e reflexão para adoção. Com a alteração legislativa do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 2009, passou a ser obrigatório o curso de preparação como parte integrante do processo de habilitação, o que a gente já fazia desde 2004”, prosseguiu a fundadora.

A iniciativa acabou fazendo com que o Quintal de Ana se tornasse instituição de referência em preparação de famílias para adoções, no Estado do Rio de Janeiro. Há 11 anos, a associação passou a ter um termo de cooperação técnica com o Tribunal de Justiça. Bárbara ressalta que não há dinheiro envolvido no trabalho. O Quintal não possui fins lucrativos e seu trabalho é inteiramente voluntário.

“Em 2010, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) formalizou um convênio, um termo de cooperação técnica, não há qualquer ônus para o Tribunal e o Quintal não recebe nada. É um trabalho totalmente voluntário, mas todos os pretendentes passam pelo Quintal de Ana para cumprirem o requisito legal de se prepararem para adoção e, assim, ingressar com o processo de habilitação”, pontuou.

Com isso, o Quintal de Niterói, que surgiu em Niterói, passou a ter atuação em todo o Estado. A fundadora explica que as atividades não ficam restritas ao curso de preparação. A associação também oferece outras formas de ajuda a famílias que passaram pelo processo de adoção, além de ações em prol de crianças que ainda aguardam por uma nova família.

“Hoje, nós atendemos do Norte ao Sul do Rio de Janeiro, diversas comarcas do nosso Estado, em cumprimento a essa cooperação técnica com o TJRJ. Mas o Quintal de Ana realiza outras atividades para buscar soluções para a situação do longo acolhimento de crianças e adolescentes, que ficam muitas vezes esquecidos nas instituições de acolhimento. Nós desenvolvemos projetos como a visitação nas instituições, o apadrinhamento efetivo, a busca ativa que visam dar visibilidade às crianças”, continuou.

Contudo, o Quintal de Ana também não passou ileso pelos problemas causados pela pandemia da Covid-19. Ciente da importância do trabalho desempenhado pela instituição, Bárbara e os voluntários rapidamente adaptaram grande parte das atividades desenvolvidas para a modalidade virtual, a fim de prevenir o contágio pelo novo coronavírus. Além disso, o Quintal se mantem financeiramente graças à ajuda de colaboradores e de famílias que tiveram a vida impactada pelo trabalho da associação.

“A pandemia trouxe uma virtualização para o Quintal e o curso. Temos recebido pessoas de outros países nos nossos grupos virtuais, por força da pandemia, que o próprio Tribunal determinou a suspensão dos encontros presenciais e autorizou encontros online. O curso está sendo ministrado, os grupos também. As visitações continuam suspensa, por conta da pandemia, para evitar o contágio. Mas nós trabalhamos ativamente para a consolidação da cultura da adoção”, completou.

Por conta da pandemia, o processo de visitação às instituições está sendo realizado de forma inteiramente virtual, e de forma individualizada, não sendo feitos grupos. Para arrecadar fundos, o Quintal faz ações como venda de produtos, como livros infantis. Aqueles que desejarem adquirir ou ajudar podem visitar o site (https://www.quintaldeana.org.br/). Colaborações podem ser enviadas via Pix para o CNPJ 06.655.276/0001-94.

Vítor d’Avila

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