Quando os radares não aumentam a segurança

Geovanne Mendes –

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou na última quarta-feira (19), em segunda discussão, por unanimidade, o projeto de lei 1.934/16, do deputado Dionísio Lins (PP), que proíbe a instalação de novos radares de velocidade próximo a áreas consideradas de risco. A proposta seguirá para o governador Luiz Fernando Pezão, que deverá sancionar ou vetar em até 15 dias úteis.

O texto considera áreas de risco “aquelas cujas comunidades são mapeadas e conhecidas por serem de alto índice de violência e confronto armado em vias urbanas”. O projeto também estabelece que o Executivo, em conjunto com os municípios, realize um estudo para retirar, de forma gradual, os radares já instalados nessas áreas, sem que a ação gere prejuízo a possíveis contratos com empresas que administrem os dispositivos.“Em algumas regiões do estado, a população fica sem saída: se para corre o risco de ser assaltado e se avança pode ser multado. Então é importante garantir ao cidadão que ele não seja multado e perca pontos na carteira ao exercer seu direito de ir e vir nessas áreas”, avaliou o deputado.

Um dos radares mais temidos por motoristas é o que dá acesso ao Complexo do Caramujo, na RJ-104. A comunidade é conhecida pelos repetidos confrontos entre a Polícia e bandidos que dominam o local e levam terror a quem passa na rodovia. Em agosto de 2015 por exemplo, a atriz Fabiana Karla seguiu as informações do GPS do seu carro e entrou por engano na comunidade, sendo abordada por traficantes e tendo o seu carro atingido por balas. A comediante estava acompanhada do marido e da mãe, e nada sofreu. O caso de grande repercussão mostra o quanto a comunidade é temida e a insegurança vem à tona quando tem que se reduzir a velocidade por causa do radar.

“Eu já vi muita gente sendo assaltada ali próximo ao radar. As pessoas diminuem a velocidade e os bandidos descem armados e assaltam. Já ouvi casos também de pessoas que tiveram pedras jogadas no para-brisa, para forçar uma parada e serem assaltados. Acho que a retirada do radar ali vai dar uma maior sensação de segurança para motoristas e passageiros de ônibus que ficam preocupados em ter que passar por ali com limite de velocidade de 50km/h”, relatou um vendedor de carros que pediu pra não ser identificado.

De acordo com o presidente do Conselho Comunitário de Segurança Pública, Leandro Santiago, essa é uma reivindicação antiga e que visa a segurança da população de Niterói, que já está cansada de inúmeros casos de violência.

“Já lutamos por isso faz tempo. O impacto viário e a segurança pública devem andar juntas. O motorista não pode dirigir com medo de encontrar os radares pelas vias da cidade, os bandidos estão atentos e sabem a forma de agir. Precisamos de uma política de segurança que proteja o cidadão. Essa lei veio em ótima hora e é muito bem-vinda”, comentou o presidente.

Em nota, a Prefeitura de Niterói informou que a cidade possui 15 radares, sendo seis de avanço de sinal e nove de controle de velocidade. Os de avanço de sinal são desligados das 22h às 6h. Os de velocidade funcionam 24 horas por dia. Em relação aos pardais na RJ-106, de competência estadual, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) não respondeu até o fechamento desta edição.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

17 − 9 =