Quadrilhas de Niterói e SG estão ‘importando’ modalidade de crime

Augusto Aguiar –

Uma modalidade de crime considerada nova e assustadora pelos cariocas, que é o roubo de caixas eletrônicos de agências bancárias com uso de explosivos e de tratores para demolirem fachadas de estabelecimentos com terminais bancários, teria sido “importada” de cidades paulistas. A incidência desses crimes no Rio, Niterói, São Gonçalo e Baixada Fluminense só tem crescido nos últimos meses. No sentido inverso está o número de informes para o Disque Denúncia, que poderia ajudar a polícia a identificar e prender os criminosos envolvidos nesses roubos ousados. De acordo com o órgão, no último trimestre do ano passado recebeu apenas uma denúncia sobre a ação desse tipo de crime em Niterói e São Gonçalo. Já no primeiro trimestre desse ano foram cinco denúncias (duas em janeiro e três em fevereiro).

De acordo com levantamento do Ministério Público, criminosos do Rio estariam trocando informações com marginais oriundos de São Paulo e praticando esse tipo de delito cada vez mais por aqui. Seriam várias quadrilhas atuando no estado. Na semana passada uma operação prendeu diversos acusados em Angra dos Reis, entre os quais até policiais militares apontados por envolvimento com um bando que usava explosivos para detonar caixas eletrônicos (Operação TNT). A ação serviu para constatar, entre outros, que parte desses grupos seriam ainda oriundos daquela cidade e de município no Sul do estado. De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública, os registros desse tipo de crime dispararam recentemente no Rio. Em 2015, foram 33 casos. Em 2016, 51, e só na semana passada, o Rio enfrentou cinco ataques. Os números dos meses de março e abril desse ano ainda não foram divulgados pelo ISP. Segundo a investigação, que durou nove meses, somente a quadrilha de Angra dos Reis teria roubado cerca de R$ 2 milhões desde agosto de 2016.

Fontes policiais revelam que essa modalidade de crime apresenta crescimento porque a ação seria rápida com uma compensação financeira elevada, acrescentando que as quadrilhas estariam fortemente armadas e agindo cada vez com mais ousadia. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), integrantes de quadrilhas estão tendo acesso a informações do tipo “quando os caixas são abastecidos”, o que leva os criminosos a projetarem o quanto rende esses ataques. Na madrugada do último dia 13 de abril, por exemplo, diversos bandidos, que também estariam ligados ao tráfico de drogas, atacaram mais uma vez um estabelecimento comercial, no bairro Amendoeira, em São Gonçalo para roubar caixas eletrônicos. Eles destruíram a fachada de uma farmácia com uma retroescavadeira para arrancar um terminal 24 horas do local.

No dia 22 de fevereiro foi a vez dos bandidos usarem uma “pá mecânica” para destruir parte da fechada de um posto de combustíveis, na Praça da Trindade, no mesmo bairro, para tentar levar caixas eletrônicos. Houve troca de tiros e os bandidos teriam conseguido fugir, abandonando o trator e sem levar o dinheiro. Esse ataque ocorreu cerca de 24 horas após outra ação ousada de ladrões de caixas eletrônicos na Estrada Caetano Monteiro, no Badu, em Niterói, quando uma agência do Bradesco foi praticamente destruída por uma carga explosiva de dinamite. Em comum nos dois ataques o horário das ocorrências, por volta das 3 horas, e a quantidade de criminosos envolvidos (pelo menos 30 em cada roubo).

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