‘PT e o Lula manterão o apoio ao Freixo’, garante Carlos Minc

O Partido dos Trabalhadores irá manter o apoio à candidatura ao governo do estado nessas eleições para Marcelo Freixo (PSB). Pelo menos é o que garante o deputado estadual Carlos Minc, vice-presidente do PSB no Rio de Janeiro. Na última terça-feira, o diretório regional do PT aprovou resolução em que retira o apoio ao deputado federal, por causa da insistência de Alessandro Molon em concorrer ao Senado.

“Eu fui ministro do Lula por dois anos, convivi com ele e sei como ele é. Ele é muito fiel a suas convicções. Ele veio aqui no comício do Rio e na frente de todo mundo falou quem ele ia a apoiar. Chamou o Freixo e levantou a mão dele: ‘é esse que vou apoiar por tais e tais razões’. Não tira o apoio ao Freixo por nada nesse mundo. Ainda mais sabendo que em vários estados têm dois candidatos a senador, e que o Molon está melhor colocado na pesquisa. Então sobre o assunto em si, estou convencido que o PT e o Lula manterão o apoio ao Freixo, que está empatado em primeiro lugar, e estou convencido que vai ganhar o governo do Rio”, afirmou o deputado estadual Carlos Minc, recordando do ato que ocorreu no dia 7 de julho na Cinelândia.

A reportagem conversou com lideranças do PT em Brasília que disseram sobre reuniões do diretório regional, e nacional, além de conversas por telefone que foram realizadas ontem (03), para definir a questão de vez. O PT-RJ alega que havia um acordo com o PSB-RJ que o nome para a disputa seria de André Ceciliano (PT), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). No entanto, a convenção regional do PSB, há duas semanas, confirmou a candidatura de Molon.

Ainda na manhã de ontem, a coluna do Guilherme Amado, no site Metrópoles, noticiou que a Executiva Nacional do PT iria manter o apoio a Marcelo Freixo, ainda que Molon continue na corrida eleitoral ao Senado. Dessa forma, a chapa no Rio de Janeiro teria duas candidaturas. Assim, o objetivo da resolução aprovada pelo PT-RJ seria de aumentar a pressão sobre o deputado, forçando uma desistência.

Contudo, uma ala do PT-RJ, liderada pelo vice-presidente da sigla a nível nacional, Washington Quaquá planejou levar a votação para a direção nacional ontem (03), uma proposta de aliança com a candidatura de Rodrigo Neves (PDT) ao governo do estado. Ou seja, a legenda estadual desembarcaria da campanha de Freixo entrando de vez no lado do ex-prefeito de Niterói, que acenou para membros petistas em evento no mês passado. A Executiva Nacional, que é presidida pela deputada federal Gleisi Hoffmann, e composta por 21 membros decidirá a questão. A reportagem tentou contato com o ex-prefeito de Maricá, que não retornou as ligações e mensagens.

DIVISÃO CLÁSSICA NA ESQUERDA FLUMINENSE

O imbróglio envolvendo PT e PSB no Rio de Janeiro evidencia as diferenças entre grupos progressistas, não só no Brasil, como no estado fluminense. Pelo menos é o que opina o cientista político Guilherme Carvalhido, que ainda destaca o fortalecimento de grupos conservadores, por causa dessas divisões.

Esse conflito entre esses dois partidos reflete o desejo de cada um deles ter o protagonismo eleitoral, pois são partidos fortes e com representantes relevantes junto à opinião pública. Ela demonstra também a clássica diferença entre os grupos de esquerda no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro. Essas diferenças dificultam a integração entre os grupos políticos progressistas, fortalecendo os partidos conservadores, que conseguem afunilar nomes para concorrer aos cargos. No caso específico do Rio de Janeiro ter dois candidatos para concorrer ao Senado dificulta a possibilidade de obter essa vaga, sobretudo porque as pesquisas indicam que o campo conservador tem candidatos – Romário – como preferido do eleitorado”, analisou.

Além disso, Carvalhido também destacou que caso o PT se afaste de Marcelo Freixo, é possível que o número de intenção de votos de Rodrigo Neves aumente. Para ele, até sexta-feira (05), quando as candidaturas majoritárias são homologadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), muita coisa pode acontecer.

“Vejo também que o distanciamento do PT da candidatura de Freixo abre espaço para a possibilidade de junção com Rodrigo Neves, que poderá assim crescer ns intenções de voto. Mas até sexta-feira há ainda a possibilidade de novos acordos, permitindo ainda o fechamento entre os dois partidos, mesmo que com restrições”, concluiu.