PSOL vai acionar Conselho de Ética contra Douglas Gomes

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) vai entrar com uma representação contra o vereador Douglas Gomes (PTC) no Conselho de Ética da Câmara de Niterói por transfobia e quebra de decoro parlamentar contra a vereadora Benny Briolly, primeira mulher trans eleita na cidade. Esta será a terceira representação contra o Gomes, que já possui uma representação por ter ido ao plenário armado, e uma segunda por se negar a usar máscaras no durante as sessões em tempos de crise sanitária.

A nova representação, que deve ser apresentada após o recesso parlamentar do “superferiado”, será referente ao caso ocorrido na sessão da última quinta-feira (25), quando ocorreu uma confusão entre o vereador do Partido Trabalhista Cristão e a vereadora Benny Briolly, durante a votação sobre a inclusão das academias de ginástica entre as atividades consideradas essenciais em tempos de pandemia.

A discussão não foi em relação à pauta, mas sobre a defesa feita por Briolly da retirada do bolsonarista da vice-presidência da Comissão de Direitos Humanos, da Criança e do Adolescente, pois segundo ela a postura do parlamentar ão conduzia com o cargo, uma vez que defende porte de armas e que teria feito agressões transfóbicas, racistas e misóginas contra a psolista.

“Hoje não posso mais andar nas ruas, não posso mais transitar na cidade, porque esse parlamentar não incita o ódio, ele pratica crime na internet e faz com que a população se sinta no direito de reproduzir esses crimes nas ruas. Isso não pode acontecer”, disse.

Douglas Gomes afirmou que não pretende sair da Comissão de Direitos Humanos e que, retirá-lo a força, seria uma demostração claramente antidemocrática.

“Eles falam que são democratas, mas isso são, na verdade, antidemocracia. Eles não aceitam alguém na Comissão Direitos Humanos que tenha um pensamento diferente do deles”, disse.

O parlamentar disse que é diariamente chamado de fascista, racista e genocida. Ainda segundo ele, a bancada do PSOL teria se irritado quando ele apresentou uma moção de repúdio, que foi aprovada, contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), em referência ao ato que fizeram fechando a Rodovia Amaral Peixoto (RJ-104), ateando fogo em pneus.

“Além dessas injúrias, fui chamado de moleque pelo vereador Bennio, bem como pelo vereador Túlio. Em nenhum momento agredi nenhum vereador, inclusive, já conversei com diversos parlamentares que estavam presentes na sessão, que foi transmitida ao vivo pela casa. A denúncia é totalmente infundada e o nosso jurídico já está tomando as devidas providências referentes as calúnias publicadas pelo parlamentar e divulgadas por alguns veículos de imprensa”, concluiu sempre se referindo a Benny no masculino.

Para Milton Cal (PP), presidente da Câmara de Vereadores de Niterói, o decoro parlamentar é uma conduta individual que consta no Regimento Interno de toda casa legislativa e ele, como presidente, deve zelar pelo cumprimento do mesmo por todos os nossos membros.

“Entendo que como representantes eleitos pela sociedade temos bandeiras as vezes distintas, compromissos com nossos eleitores e que as divergências de ideias fazem parte do processo político. Temos uma legislatura heterogênea e competente, estou certo de que meus colegas e minhas colegas farão a sua parte para conseguirmos manter o diálogo ameno em prol da população da nossa cidade”, afirmou Cal que disse que vai disponibilizar as filmagens da sessão na próxima reunião de líderes para avaliar o ocorrido e que possíveis julgamentos são de competência do Conselho de Ética da Câmara Municipal de Niterói.

Marcelo Almeida

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