PSDB fluminense defende saída imediata do Governo Temer

Anderson Carvalho

Apesar da direção nacional do PSDB ter decidido continuar participando do governo do presidente Michel Temer (PMDB) no último dia 12, a direção e a bancada do partido no estado do Rio de Janeiro quer a saída imediata da administração peemedebista, com entrega dos ministérios dos quais participa. Junto com os diretórios da legenda nos estados do Espírito Santo e do Rio Grande do Sul, tem se rebelado contra a decisão. O PSDB de Niterói vai mais além e defende até a desfiliação do senador afastado Aécio Neves (MG), investigado por pedido dinheiro a empresários, tentar obstruir a Operação Lava Jato e defender a anistia ao caixa 2.

“No último dia 10 o diretório estadual, junto com a bancada de deputados federais e estaduais decidiu pela saída do partido do Governo Michel Temer. Não há condição nenhuma de continuar. Vamos continuar pedindo a entrega dos cargos. Esperamos que a direção nacional reveja mais para a frente a sua posição. Nacionalmente o partido está dividido”, contou o vereador de Niterói, Bruno Lessa, integrante do diretório estadual da sigla.

O deputado estadual Luiz Paulo, líder da bancada da legenda na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e presidente do diretório municipal do Rio, também é a favor da saída do Governo Michel Temer. “Há muito tempo defendemos a nossa retirada. O governo está acabado. Sem condições de administrar o país. Vamos continuar pedindo a saída do partido”, afirmou o parlamentar.

Em 20 de maio passado, a comissão executiva tucana fluminense decidira apoiar a renúncia de Temer e a saída de ministros filiados ao partido do governo. Outra decisão é que caso o presidente não renunciasse, que os tucanos entrassem com pedido de impeachment no Congresso Nacional.

Aécio Neves
O PSDB de Niterói quer o ex-presidenciável fora do partido. “É com imensa decepção e indignação que defendemos a abertura de processo no Conselho de Ética do PSDB em face às graves denúncias envolvendo Aécio Neves. Não compactuamos com solicitação de dinheiro a empresários, tentativa de obstrução da Justiça, defesa de anistia do caixa 2, aparelhamento da Polícia Federal”, disse um trecho da nota do diretório, assinada pelo presidente Sérgio Artur. “Que Aécio siga o seu caminho de defesa perante a lei pelos seus atos, mas não mais como um filiado do PSDB”, encerrou.

Já Luiz Paulo discorda. “Não discutimos isso no diretório regional. Queríamos apenas que ele fosse afastado da presidência nacional do partido e isso foi feito. A permanência dele na legenda é assunto da executiva nacional.

Julgamento no STF

A defesa de Aécio Neves (PSDB-MG) pediu nesta sexta ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o pedido de prisão contra ele seja julgado por todos os 11 integrantes da Corte, em plenário, e não pela Primeira Turma, composta por cinco ministros, conforme previsto. 1 - RETRANCA - AÉCIO NEVES

Está marcada para terça-feira, na Primeira Turma, o julgamento de dois recursos: um do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que quer a prisão preventiva de Aécio, e outro do próprio senador pedindo que seja assegurada sua liberdade.

Para julgar a questão, os ministros deverão analisar a aplicação ao caso do artigo 53 da Constituição, segundo o qual os parlamentares “não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável”.

O advogado Alberto Zacharias Toron, que representa Aécio, argumentou que o tema afeta a relação entre os poderes, e, por isso, deve ser analisado pela composição completa do Supremo, “diante do inegável alcance político/institucional que a controvérsia assume”.

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