Protestos durante velório de menina que morreu baleada em Niterói

Vítor d’Avila

Emoção e protestos marcaram a despedida de Ana Clara Gomes, de 5 anos, morta na terça-feira (2) ao ser baleada na comunidade Monan Pequeno, região de Pendotiba, em Niterói. O funeral aconteceu, na tarde de hoje (3), no Cemitério São Francisco Xavier, em Niterói.

Centenas de pessoas chegaram para a cerimônia, por volta de 14h, em ônibus que foram disponibilizados para o transporte de familiares e amigos da família. Diversas faixas de protesto puderam ser vistas. A mãe da menina, Cristiane Gomes, muito abalada, pediu por justiça

“Só a dor que eu estou sentindo. Quero justiça pela morte da minha filha. Para que não caia no esquecimento como muitos já caíram. Minha filha tinha só 5 anos e morreu na covardia com dois tiros de fuzil na porta de casa. Eu acho que todos deveriam pagar, só que o [policial] que está preso foi o que matou ela. Então acho que ele preso não vai trazer ela de volta, eu não confio na justiça. Vou amá-la eternamente. Não vai ter um dia em que não vou me lembrar dela”, relatou Cristiane.

Para dar o último adeus à Ana Clara, alguns familiares estavam com camisas com a foto da menina e pedidos de justiça. A maioria dos presentes estava bastante consternada, especialmente os familiares. Equipes da Nittrans coordenaram o trânsito no local. Um rapaz chegou a se sentir mal e precisou ser retirado do cemitério carregado. O cortejo fúnebre deixou a capela às 14h35min. A avó da menina também passou mal e precisou ser retirada depois.

A bisavó de Ana Clara, Maria dos prazeres, pediu maior respeito das forças policiais à população que mora em comunidades. Ela fez questão de ressaltar que a maioria das pessoas que moram em lugares assim são do bem, trabalhadoras, e não criminosos.

“As crianças da comunidade passam por esse [tipo de] episódio. Nós sofremos muito. Eles [polícia] não querem saber se somos pessoas de bem. Acham que todo mundo é do tráfico e bandido a gente não é, somos trabalhadores, pessoas do bem, que temos religião. A gente mora na comunidade porque não temos condição de morar na zona sul, somos honestos”, disse.

Após o sepultamento da menina, moradores do Monan Pequeno, amigos e familiares foram novamente ao local onde Ana Clara morreu e realizaram nova manifestação. Na terça-feira, dia do crime, protestos também aconteceram nas Estradas Francisco da Cruz Nunes e Caetano Monteiro.

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