Projeto social dá aulas de futebol a mais de 300 crianças em Niterói e SG

Para três pessoas, voluntárias em um projeto social, fazer a diferença na vida de mais de 300 crianças em vulnerabilidade, nas cidades de Niterói e São Gonçalo, parece ser algo fantasioso. Mas isto é realidade no Projeto Loirinho, que dá aulas de futebol nas comunidades da Brasília, em Niterói, e Coruja e Feijão, em São Gonçalo.

A iniciativa faz parte da série de reportagens de A TRIBUNA sobre projetos que apoiam jovens e crianças de alguma forma. Jorge Alves “Loirinho” é o fundador do projeto que leva seu apelido e há anos forma não apenas futuros atletas, mas cidadãos de bem. Quem explicou à reportagem de A TRIBUNA sobre como funciona a iniciativa foi Nélio Silva, de 38 anos, um dos treinadores e coordenadores.

“Nós trabalhamos com esporte em geral, damos treinos físicos e marcamos os jogos durante os finais de semana. A intenção é socializar as crianças. Tudo gratuito, só na presença da criança é o que nos importa. Elas gostam muito, são muito empenhadas. Além do treino tem os jogos e ninguém falta, senão fica fora do jogo e todo mundo quer participar”, disse, orgulhoso.

Nélio afirma que, por meio das experiências de cada um dos voluntários, eles tentam passar aos jovens, que possuem entre 4 e 17 anos, noções de como se tornar um ser humano íntegro. Para o treinador, futebol e cidadania caminham lado a lado. No âmbito esportivo, aqueles que se destacam podem até ganhar oportunidades em clubes profissionais.

“Além de formar seres humanos e pessoas íntegras, também queremos formar atletas. Nem sempre é possível, mas às vezes conseguimos indicar garota a alguns clubes. O principal de tudo é saber que a gente está formando pessoas com caráter. A gente passa aquilo que a gente vive, nossas experiências de vida. No meio dessa pandemia conseguimos passar alguns exemplos”, prosseguiu.

Atualmente, o projeto tem 150 alunos na comunidade da Coruja, 80 na Brasília e 90 no Morro do Feijão, totalizando 320. Durante o auge da pandemia do novo coronavírus, surgiu um baque para o “Loirinho”. O fundador, Jorge, precisou ficar afastado por alguns meses após ser contaminado pela Covid-19. Ele já está bem, mas, durante sua ausência, Nélio precisou buscar motivação para manter o projeto vivo, ao lado do outro coordenador, Jorge Coutinho.

“O Jorge teve Covid-19, ficou muito ruim. O projeto deu uma parada e foi até por isso que eu entrei para ajudá-lo, porque é um sonho dele não ver o projeto parar. Hoje conseguimos abranger as comunidades da Brasília, em Niterói, Coruja e Feijão, em São Gonçalo. Nós somos três voluntários”, frisou.

A organização é um dos pontos fundamentais para o projeto. Nélio explica que todos os alunos matriculados são cadastrados com telefone de contato e o nome dos pais. Outro fator essencial é o incentivo para que os atletas do Loirinho frequentem a escola com assiduidade. Para isso, adequações têm sido feitas nos horários das aulas, nas três comunidades.

“Nós temos nomes dos pais, telefone, fazemos cadastro. Foi muito difícil mantê-los engajados durante a pandemia. Um ponto positivo que tivemos é que eles não tinham o que fazer, aí resolvemos continuar e Deus nos abençoando. Com esse novo normal e as aulas retornando, a prioridade é que as crianças estudem. Estamos adequando os horários para que todos participem”, explicou.

Por fim, Nélio afirma que o projeto segue adiante devido à ajuda de amigos que acreditam na iniciativa. Ele convida aqueles que queiram colaborar de alguma forma, seja com materiais ou alimentos para os cafés da manhã, ou tenham vontade em participar, basta buscar “Projeto Loirinho” nas redes sociais e entrar em contato via mensagem.

“Nós recebemos ajuda de alguns amigos para dar o café da manhã para as crianças. Quem quiser ajudar pode entrar em contato com a gente por meio das nossas redes sociais. Tem um menino nosso, o João, de 14 anos, que está jogando no Internacional. Quem quiser participar, basta aparecer nos dias de aula. Só a presença basta para nós”, concluiu.

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