Projeto no Salgueiro recicla esperança na vida de mulheres e crianças

Camilla Galeano

Reciclar é uma forma saudável de ajudar na preservação do meio ambiente. Além de sustentável, o Coletivo Mulheres do Salgueiro realiza um trabalho que transforma vidas. O grupo formado por 17 mulheres de diversas profissões, e principalmente moradoras da comunidade do Salgueiro, realiza a confecção de bolsas, carteiras, cintos, brincos, entre outros produtos, com material reciclado.

Elas estão aceitando doações de banners usados para a produção. Eles são reciclados e viram matéria-prima básica para confecção e venda. Além de deixar de fazer o descarte incorreto e proteger o meio ambiente, você vai ajudar um  empreendimento solidário. Quem quiser fazer as doações, pode mandar mensagem para o e-mail mulheresdosalgueiro@gmail.com para combinar a entrega.

“Como as doações murcharam desde o início da pandemia, decidimos fazer a campanha em nossas redes sociais para arrecadar os banners usados. Precisamos renovar nosso estoque da matéria-prima para futuras encomendas”, explicou uma das fundadoras e coordenadoras do coletivo, a pedagoga Janete Nazareth Guilherme.

Mas o coletivo vai muito além do trabalho com material reciclado. Lúcia faz parte do projeto desde 2014 e conta que chegou em um momento difícil da sua vida, mas o Coletivo a ajudou muito a se recuperar. “Eu tinha acabado de perder a minha mãe, estava em depressão e o projeto me ajudou muito. Cheguei para ser aluna e virei professora por ter conhecimento em costura. O projeto para mim é tudo, porque ele faz com que consigamos enxergar uma luz no fim do túnel”.

Lúcia conta que, além de conseguir incentivo e animação para seguir em frente, mulheres que não podem trabalhar fora porque não têm com quem deixar os filhos, encontram no projeto uma fonte de renda. “Quem tem dificuldade, o Coletivo nos dá essa oportunidade de conseguir uma renda trabalhando em casa”. Renata Bispo, de 27 anos, está há seis no projeto e conta como conseguiu, não só uma profissão, mas apoio psicológico para recuperar a autoestima nas aulas de corte e costura.

“Eu tinha depressão, não tinha auto estima, porque eu vivia um relacionamento abusivo. Eu entrei aqui para fazer o curso de costura. Participar das aulas fez a minha mente mudar”. Renata começou a trabalhar em casa e logo se juntou ao grupo como professora.

“Houve uma grande mudança depois que passei a fazer parte do ‘Mulheres do Salgueiro’. Eu não imaginava dar aulas, porque  a vida que eu levava eu achava que eu só servia para ser mãe e dona de casa, mais nada. Mas no curso a minha mente foi mudando. Eu enxerguei novos horizontes. Comprei as máquinas que eu precisava para trabalhar, consegui sair do relacionamento abusivo, e através do trabalho como costureira, eu conquistei a minha casa para morar com meus quatro filhos”, conta.

Janete explica que o projeto tem como principal bandeira a luta pelos direitos humanos e direitos da vida, para mulheres e crianças. “Desenvolvemos trabalhos de geração de renda voltados para as mulheres, com a formação nos cursos de moda, empreendedorismo e economia solidária. Para a juventude e as crianças fazemos um trabalho de saúde, corpo e educação ambiental com oficinas teóricas e praticas trabalhando de forma lúdica”.

O coletivo está com um projeto piloto com as crianças onde trabalham os temas de educação, saúde e corpo em parceria com a Faculdade de Formação de Professores  da UERJ, em São Gonçalo. “As crianças da comunidade elas não tem alternativa. Na comunidade é difícil fazer o isolamento social por causa das casas que são muito pequenas e essas crianças tem usado muito o celular para se distrair. Para tentar driblar isso, seguindo todos os protocolos de prevenção, a gente faz esse trabalho com as crianças para que elas tenham a saúde mental preservada”.

Histórico

O coletivo Mulheres do Salgueiro é um empreendimento solidário que começou suas atividades em 2002, com a realização de cursos e oficinas de tingimento de roupas e moda em geral para impulsionar a capacidade produtiva das moradoras da comunidade que dá nome ao grupo.

A partir de uma parceria com o Instituto Gênesis, da PUC-RJ, as Mulheres do Salgueiro tiveram noções de empreendedorismo e economia solidária e depois, com o financiamento através de um edital público, elas se capacitaram para transformar a pele de tilápia em couro tingido.

Em 2006, em outra parceria com uma ONG alemã, elas adquiriram a sede onde ampliaram e realizam suas atividades até hoje, com produção e venda de acessórios femininos (bolsas, cintos, carteiras, braceletes e brincos) confeccionados com o couro de tilápia, além de outros itens e brindes promocionais com banners, uniformes e jeans usados.

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