PROJETO MAIOR

Então aconteceu o pior. Em 589 AC, Jerusalém foi arrasada pelos babilônios, e grande parte da população, aprisionada e levada para o exílio, no que é hoje o Iraque. 50 anos depois, foram libertados por Ciro, imperador Persa, um conquistador com tolerância religiosa. Há males que vêm para bem. Quando os hebreus retornaram para casa, já eram outros. Ninguém passa por uma experiência dessas e fica do mesmo tamanho. Na dor do exílio, eles descobriram que Javé era seu único Deus.
Passaram-se os anos.
Em 389 AC, ficou pronta a versão final do Pentateuco. Esdras liderou um grupo de sacerdotes e mudou radicalmente o judaísmo. Eles reeditaram os livros anteriores e escreveram o que faltava nos outros livros. Alguns pensamentos que brotaram da pena desse grupo se assemelham aos direitos humanos de hoje: “Se um estrangeiro vier morar convosco, não o maltrates. Ama-o como se fosse um de vós”.
Por volta do ano 200 AC, o conjunto dos livros sagrados estava finalizado e começou a se alastrar pelo Oriente Médio. A primeira tradução completa do Antigo Testamento foi feita em Alexandria, no Egito, por ordem de Ptolomeu II, um texto conhecido como Septuaginta, porque, segundo a tradição, foi realizado por 70 sábios.
Dois séculos mais tarde, a Bíblia, em aramaico, era a mais lida na Palestina. Foi aí que um jovem judeu, grande personagem desta história, começou a se destacar. Ele contava parábolas e curava as pessoas. Mas esse já é um outro desdobramento, para a semana que vem.
Importante é frisar que a Bíblia não é um livro que caiu das nuvens. Ela foi formada do lado de dentro da vida das pessoas e da história humana. O que aconteceu do lado de fora do povo a impregnou por dentro. Dessa interpretação dos fatos, nasceu a Bíblia, como uma forma de entender que tudo se encaixa num Projeto Maior.

*Arcebispo Metropolitano de Niterói

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

12 − 11 =