Projeto de Jiu-Jitsu salva jovens de São Gonçalo

Wellington Serrano

As comunidades do Boaçu, Brasilândia e Guaxindiba já foram locais perigosos de São Gonçalo. Há alguns anos existe lá dentro o Projeto Futuro Guerreiro, atualmente coordenado pelo bicampeão brasileiro de Jiu-jitsu Walter Messias, conhecido como Waltinho, onde são atendidos cerca de 100 jovens.

Formado em Educação Física, faixa preta 2 graus de jiu-jitsu e membro da PIB de Brasilândia há oito anos, Messias recorda que no início o próprio tráfico já lhe entregou ex-soldados humilhados que seriam mortos caso não tivesse salvação no esporte. “Já desenvolvia inúmeros trabalhos em minha comunidade e dentro de sua igreja. Em agosto de 2010 o sonho de ter um projeto tornou-se realidade ao ser convidado por uma empresa de São Gonçalo a ministrar aulas de jiu-jitsu para crianças e adolescentes destes bairros. Foi a salvação”, disse Waltinho.

Segundo ele, seu pai queria que vê-lo como engenheiro e seu sonho era ser jogador de futebol, mas quis o destino que fosse responsável por um novo conceito de equipe no ensino de artes márcias: o Futuro Guerreiro. “Sem perder a essência de lutar por vidas o projeto foi se consolidando e ganhando espaço com seu modelo de ensino de lutas”, realçou o professor.

Sem fins lucrativos, o projeto existe devido à ajuda de empresas e instituições que acreditam na proposta. As aulas ministradas são gratuitas e ainda oferecem a seus participantes o quimono e o lanche após os treinos.

“A prática de atividade física educa, socializa, desperta habilidades, possibilita o desenvolvimento do intelecto. Desenvolve e incentiva o espírito de equipe, de solidariedade, de disciplina e de respeito ao próximo. Ela aumenta a autoestima, a qualidade de vida, a saúde e a produtividade de quem a pratica, além de, descobrir talentos preparando-os para a carreira esportiva”, enumerou.

Waltinho sabe lidar com crianças e adolescentes e diz como consegue tirá-los do crime. “Como sabemos a prática esportiva é um importante veículo de comunicação e formação do indivíduo, principalmente quando falamos de crianças, nas quais podemos identificar que essa fase se concentra toda a formação morfofisiológica e principalmente, a formação cognitiva, afetiva e motora”, realçou.

Ele disse que as crianças de hoje estão sendo beneficiadas com atividades esportivas. “Contudo, nossa missão está além do ensino de técnicas e golpes, nosso investimento está em colaborar com a formação de novos cidadãos com capacidade para desenvolver a educação e a cidadania na sociedade através de princípios como disciplina, autocontrole, solidariedade, respeito e espírito de equipe”, enfatizou Waltinho ao falar dos impactos positivos, em longo prazo, seja no comportamento familiar, seja no convívio em grupos, seja no rendimento escolar.

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