Profissionais de Saúde serão homenageados em Niterói

Música na varanda. Orações coletivas das janelas. Felicitações de aniversário dentro dos condomínios. As comemorações nunca foram tão latentes como nesse período da pandemia do coronavírus, nesta terça-feira (28), às 20h, Niterói também está na lista de uma celebração. O prefeito Rodrigo Neves convocou a população uma salva de palmas para homenagear os profissionais da saúde que estão na linha de frente no combate ao vírus.

“Na terça-feira (hoje), dia 28, às 20h, vamos todos aplaudir esses profissionais que se dedicam muito para salvar vidas com uma salva de palmas, das janelas, das varandas, dos quintais. O esforço deles merece todo o nosso reconhecimento”, comentou o prefeito.

A psicanalista Andrea Ladislau explica que esse desafio pode levar a uma saturação mental.

“Estão na linha de frente e fazem o elo entre os familiares dos pacientes e os serviços de saúde. Convivem com a dor ao presenciar os desfalques no time, perdendo companheiros de trabalho para um vírus cruel. São acometidos por uma absurda carga emocional, que mistura ingredientes diversos: o medo de se infectar, o medo de contaminar parentes, o luto pela perda dos amigos de trabalho, a frustração e sensação de impotência quando perdem um paciente para o coronavírus, além do esgotamento pelo excesso de atividades”, frisou a também administradora hospitalar e gestora em saúde.

Justamente o que amédica do Sistema Único de Saúde (SUS), Ana Sodré, confirma e salienta. A falta dos equipamentos aos profissionais da linha de frente os colocam em risco de contágio de 10 a 15 vezes maior que as demais pessoas.

“Existem poucos leitos para internação em caso doenças normais, que dirá agora numa situação de pandemia. A internação de um paciente não depende apenas do leito para deitar o paciente. É preciso do profissional de saúde com a troca de turnos, pois os que estão na linha de frente estão física e emocionalmente esgotados; profissionais de limpeza, estoque de insumos adequados para lidar com doenças infecciosas e EPIS, visto que profissionais já estão desembolsando do próprio bolso e improvisando até aventais com sacos de lixo”, desabafou.

Uma técnica em enfermagem, que não quis se identificar, contou que o pior problema, além do medo de contrair a doença, é se adaptar aos equipamentos de proteção.

“A máscara sufoca e aperta o rosto. O capote esquenta e chega a embaçar de tanto calor. A roupa nos tira a flexibilidade. É tudo horrível. Ficar horas com esses equipamentos é angustiante. Isso somado ao fato de também ficarmos temerosos, com medo e neuróticos. Tento trabalhar minha cabeça todos os dias para não surtar”, desabafou.

Outra profissional da saúde que também não revelou a identidade disse que um dos momentos mais difíceis é chegar em casa.

“Tenho que manter distanciamento do meu filho e isso é triste. Uma amiga morreu infectada. Eu comecei uma terapia para conseguir lidar com essas emoções”, ponderou.

“Nunca pensei em viver um momento como esse, tenho implorado a Deus misericórdia principalmente para os profissionais da área da saúde que estão se entregando com toda dedicação, cuidado e zelo por aqueles que estão sendo infectado pela doença. Venho acompanhando o noticiário de Niterói e fico sabendo que enfermeiros, médicos, nutricionistas estão fazendo o que podem nos hospitais para salvar as pessoas. Para esses profissionais temos que tirar o chapéu”, opinou a moradora de Icaraí, Leila Rabello.

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