Professores de Niterói resolvem cruzar os braços no dia 8

Raquel Morais

Os profissionais da Rede Municipal de Educação de Niterói realizaram nesta quinta-feira (09) uma caminhada para chamar atenção da população para a situação enfrentada pela categoria. Em assembleia ficou decidido que no próximo dia 8 de março, o Dia das Mulheres, a categoria entrará em greve por tempo indeterminado. Até lá, todas as quartas-feiras que antecedem o carnaval, dias 15 e 22, o grupo fará paralisações de 24 horas.

A assembleia aconteceu ontem na Escola de Enfermagem da Universidade Federal Fluminense (UFF), na Rua Dr. Celestino, no Centro, no auditório Prof. Dr. Rosalda Cruz N. Paim e contou com cerca de 200 pessoas. Liderados pelo Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) Niterói, o encontro teve como linhas centrais as questões do ensino público municipal e a elaboração do calendário de luta. Por volta das 11h o grupo terminou a assembleia e seguiu em caminhada pela Avenida Ernani do Amaral Peixoto, até a estação das barcas. Eles usaram de megafone e algumas faixas para chamarem atenção dos niteroienses para o assunto.

Entre as questões apontadas destacam-se a jornada de trabalho de 30 horas, contra as 40 atuais; que as cozinheiras sejam reconhecidas e seja mudada a nomenclatura (atualmente são denominadas merendeiras); adiamento da anexação da gratificação para 2020; aumento da contribuição previdenciária de 11% para 14%; falta de vagas nas creches de 0 a 5 anos, maior qualidade da merenda do ensino fundamental, criação de bibliotecas, laboratórios, quadras e ar-condicionado em algumas unidades.

“O movimento é em defesa da qualidade da educação e o sentido geral desse processo de luta é que a educação não vai pagar pela crise. Estamos em uma situação caótica e a educação precisa de uma atenção”, frisou a funcionária administrativa Danielle Bornia, 36 anos, que trabalha na Umei Professor Írio Molinari, na Ilha da Conceição.

A coordenadora geral do Sepe Niterói, Andréa Peçanha, informou que foram feitas várias tentativas de negociações até a resolução da greve. “Resolvemos dar início à greve em março para ter esse tempo de mobilizações e paralisações. Escolhemos também o Dia da Mulher para dar início nessa luta, já que o quadro de funcionários da educação é majoritariamente feminino”, ressaltou. Segundo dados do sindicato, Niterói conta com 90 escolas municipais, que totalizam 30 mil alunos e quatro mil profissionais da educação.

A Prefeitura de Niterói não se manifestou sobre o assunto até o fechamento dessa edição.

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