Professor de educação física de Niterói dá treinos internacionais através da internet

Karoline Martins

Formado em Licenciatura Plena pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2002, o niteroiense Ronaldo Neves Carestiato, de 44 anos, venceu barreiras para continuar dando aulas durante o período da pandemia com o máximo de segurança possível. Através da internet ele dá assistência a alunos de lugares como Portugal, Estados Unidos, São Paulo, Rio de Janeiro e Maricá. A procura pela modalidade de treino aumentou nos últimos meses devido as restrições de contato social recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Além incentivar os alunos, a família do morador de Pendotiba, participa das aulas.

“A minha esposa está sempre junto comigo durante os treinos. Apesar não ser profissional da área ela participa como os alunos. Nós temos dois filhos, uma de 12 e  outro de cinco anos. A mais velha também nos acompanha. Antes da pandemia eu já atuava prestando consultoria à distância. Durante ela vieram as aulas através da internet. Em casa os alunos tem conforto, economia de tempo, segurança, praticidade e um resultado muito parecido com o presencial dependendo do objetivo do aluno. Só que alguns cuidados precisam ser tomados. Antes de mais nada, o aluno(a) precisa estar apto(a) para realizar exercícios físicos. Se possível, providenciar um frequencímetro, sempre utilizar roupas e acessórios específicos para o treino. Observar bem o local onde vai fazer o treino, se está molhado, se tem móveis ou objetos que podem causar acidentes e se o aluno sentir algum desconforto, sinalizar logo para o professor”, orientou.

Se a necessidade trouxe a realidade da busca por novas alternativas de práticas de exercícios físicos, encontrar um profissional preparado faz a diferença para um bom desempenho. O niteroiense já havia coordenado uma academia no Fonseca por cinco anos e já trabalhou como personal em academias de Icaraí e São Francisco. Nos treinos não há espaço para corpo mole.

“Houve um aumento de 50% na procura pelas aulas. Os meus alunos que eram presenciais migraram para o online. Gostaram tanto da dinâmica que permaneceram, mesmo depois da flexibilização. Descobriram os benefícios do treino em casa. Logo no início da pandemia, em março, eu percebi que eu tinha que oferecer algo para os meus 20 alunos presencias, pois não podiam ficar parados sem treinar. Quem determina de que forma (volume x intensidade ) qual o grupamento muscular (superior-inferior – core) e qual o tipo de exercício (musculação- aeróbico – intervalado) sou eu. Mas sempre tem os queridinhos da galera: a  prancha, os abdominais, os agachamentos, o  protocolo Tabata. Enfim, como eu vario muito os treinos, eles sempre ficam motivados a fazerem”, contou.

Além da prática de exercícios físicos para manter a saúde, quem deseja se exercitar também deve estar atento a uma alimentação equilibrada e a orientações de nutricionistas.

“É bom que, se possível, o aluno além do relógio que mede os batimentos cardíacos, use roupas leves e esportivas, tenha um colchonete ou o próprio tapete da sala, uma barra que pode ser improvisada com um cabo de vassoura ou barraca de praia, anilhas ou pesinhos improvisados, um espaço de mais ou menos 6 m², uma boa conexão de internet, celular, tablet ou laptop, e uma garrafa de água. A alimentação planejada por um profissional de nutrição é fundamental”, enfatizou o professor.

O estímulo a prática de exercícios físicos deve acontecer desde a infância para a existência de mais adultos com a saúde em dia e um equilíbrio com o uso benéfico das tecnologias, afirma o profissional.

“Quando a saúde não é prioridade, vários fatores podem influenciar negativamente no estilo de vida de uma pessoa. A rotina de trabalho, a vida social, os engarrafamentos nas grandes cidades, o estresse, a falta de organização e tempo… Eles são, em grande parte, responsáveis por esse fenômeno tão maléfico para a saúde em geral. Consequentemente, as crianças e adolescentes estão, ao meu ver, observando seus pais e ou responsáveis nessa loucura do mundo moderno e cada vez mais afastados das atividades físicas e crescendo assim o uso sem limite da tecnologia, por falta de exemplos e estímulos”, alertou Ronaldo.

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta-feira (18) através da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), em 2019, 60, 3% dos brasileiros estavam acima do peso ideal incluindo os casos de obesidade; 23,9%  foram diagnosticados com hipertensão e os diagnósticos de diabetes entre pessoas a partir dos 18 anos passou de 6,2% em 2013 para 7,7% em 2019.

“Está mais do que na hora de se promover uma campanha séria no nosso país. Os dados sobre obesidade infantil são tão alarmantes que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que em 2025 o número de crianças obesas no planeta chegue a 75 milhões. Os registros IBGE apontam que uma em cada grupo de três crianças, com idade entre cinco e nove anos, está acima do peso no país”, ponderou Carestiato.

A topografia de Niterói é um convite, de acordo com o professor para a prática de exercícios. Tão pouco a segurança das pessoas com um controle maior do coronavírus seja com a disciplina no cumprimento de medidas  preventivas quanto com a aplicação de uma provável vacina, possibilitará uma melhor exploração das facilidades naturais do município.

“Somos privilegiados por vivermos em lugares com praias, calçadões, parques, bosques, todos propícios para a prática de atividade física. É preciso que se tenha consciência do bem que se faz à família quando se incluem atividades prazerosas que irá proporcionar saúde e bem estar a todos”, finalizou o profissional.  

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