Procura por atendimento neurológico cresce entre rodoviários

Raquel Morais –

O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Passageiros de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) divulgou o relatório de atendimentos da categoria de outubro de 2016 a outubro de 2017. As especialidades campeãs de atendimento foram: clínica médica, odontológica e fisioterapia. Mas na quarta posição estão os atendimentos psicológicos e neurológicos que, juntos, correspondem a 15% das consultas. De um universo de 55.151 atendimentos, 8.039 foram para problemas neurológicos.

A procura por clínica médica totalizou, no período de um ano, 14.827 atendimentos, seguida por 9.783 consultas ao dentista, 7.551 atendimentos no fisioterapeuta, 6.348 idas ao psicólogo e 4.261 ao neurologista. Já psiquiatra ficou com 1.691, atrás apenas da especialidade do ortopedista com 3.465.

O motorista Ronaldo Damasceno, de 38 anos, disse que a profissão exige muito controle, já que ele tem que dirigir, receber dinheiro, dar troco e ainda ajudar quem precisa entrar no coletivo. Já um motorista que preferiu não se identificar ressaltou as condições de alguns ônibus. “Tem muito ônibus que não está bom para trabalhar, sem ar-condicionado, com pedais duros, setas sem funcionar, entre outros problemas. Isso tudo deixa a gente nervoso, o trânsito é caótico e não tem quem aguente passar por isso tudo sem apoio médico”, pontuou.

O relatório compreendeu atendimentos em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Rio Bonito e Cabo Frio, e o presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira, disse que problemas cardíacos, psicológicos, psiquiátricos e neurológicos são consequência de uma rotina altamente estressante. “Isso inclui a violência urbana, o conflito entre motoristas e passageiros e o trânsito caótico. Essa é a percepção de nossos médicos especialistas, que lidam diariamente com esses problemas. No Sintronac prestamos atendimento a esses profissionais e muitos estão em tratamento contínuo no nosso departamento médico. A maioria está afastada do trabalho”, explicou.

Rubens ainda ressaltou que a Previdência Social demora muito, às vezes quatro meses, para atender os rodoviários afastados, que ficam sem ter como prover as necessidades de suas famílias. “O sindicato os ampara, mas esse é uma obrigação do Governo. Ao mesmo tempo, as empresas poderiam realocá-los em outras funções, quando não puderem mais enfrentar o dia a dia no trânsito, o que não ocorre”, finalizou.

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