Procissão marítima teve oração, protesto e desrespeito

Raquel Morais

Ontem foi comemorado o Dia de São Pedro e a igreja do padroeiro dos pescadores, em Jurujuba, ficou pequena para as centenas de fiéis que passaram por lá. O dia foi marcado por alvorada, missas, bençãos, músicas e procissões terrestre e marítima, essa última levou ao mar cerca de 70 barcos enfeitados. A primeira grande homenagem ao santo foi às 5 horas da manhã, logo após a alvorada de fogos, quando a Banda de Música do Comando da Artilharia Divisionária 1, do Exército Brasileiro, percorreu as ruas do bairro com alguns fiéis.

A Santa Missa Campal foi celebrada pelo Vigário Episcopal Padre Carmine Pascale, que substituiu o Arcebispo Emérito de Niterói, Dom Frei Alano Maria Pena, que teve que celebrar missa em São Pedro da Aldeia. Cerca de 500 pessoas se aglomeraram na principal rua de Jurujuba, onde foi montado o palco. Embalados pela fé todo ritual aconteceu ordeiramente, com ajuda também da Polícia Militar, Guarda Municipal e agentes da Niterói Transporte e Trânsito (NitTrans). “Não poderia deixar de agradecer a todos que ajudaram a montar essa festa, direta ou indiretamente. Agradeço também a comunidade da Capela São Pedro pela dedicação e contribuição para essa festa do padroeiro da capela. Estou muito feliz”, comentou padre Magno Angeli, pároco da igreja.

Após a celebração, cerca de 40 pessoas seguiram para a procissão marítima, em um barco que foi alugado pela organização da festa, já que a CCR Barcas e o estaleiro Renave não cederam embarcações, como aconteceu em anos anteriores. Mas os ‘comandantes’ dos outros barcos também cederam lugares para dezenas de fiéis. A procissão nas águas percorreu a Baía de Guanabara, Charitas, São Francisco, Icaraí, indo até o Museu de Arte Contemporânea (MAC) e retornando para Jurujuba.

Algumas intervenções, no entanto, marcaram negativamente a celebração, já que muitos barcos expuseram caixas de som tocando músicas ofensivas e com pessoas de roupa de banho, que se exibiam para os fiéis. “Achei uma total falta de respeito. Essa é uma procissão que acontece há décadas e não devemos brincar com religião, é preciso respeitar”, comentou uma devota que não quis se identificar.

Mas o imprevisto não diminuiu a felicidade de quem estava participando da homenagem de coração. Foi o caso da família Oliveira, que terminou de arrumar o pequeno barquinho para seguir a procissão nas águas. “Desde criança eu participo dessa festa com meus pais e hoje crio a minha filha com a benção de São Pedro. Não quero deixar essa tradição morrer”, comentou Rafael, de 36 anos, que é encarregado de obras, junto à esposa Leiliane, de 29 anos, e a pequena Luiza, de 7.

A estudante de odontologia Marina Guimarães, de 25 anos, também esteve na missa para celebrar o padroeiro dos pescadores. “Nasci em Jurujuba e cresci nesse ambiente. Hoje trago meu filho, que é prova viva do milagre de São Pedro. Pedi saúde para ele após descoberta de um linfonodo na garganta e ele curou o Henrique”, comentou emocionada a mãe do menino de 7 anos.

Na parte da tarde as comemorações continuaram com reza do terço, missa, benção, show cultural, louvor e a tradicional queima do quadro de São Pedro, após a missa das 19h. As comemorações vão continuar hoje e sábado, com missas às 19h, e no domingo às 9h, seguida de batismo. Já às 10h sairá um comboio de motos, do grupo Falcão Peregrino, do 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Niterói, no Centro, com a imagem de São Pedro, até a matriz em Jurujuba, em forma de homenagem.

TRÂNSITO
A NitTrans preparou esquema especial de trânsito até as 2 horas do dia 3 de julho. O estacionamento fica proibido ao longo de toda extensão da Avenida Carlos Ermelindo Marins, em Jurujuba. O tráfego de veículos fica proibido no trecho final desta avenida, a partir da Alameda Marechal Pessoa Leal, nos seguintes horários: das 9h do dia 30 de junho às 3h do dia 1º de julho; das 9h do dia 1º de julho às 3h do dia 2 de julho; no dia 2 de julho, das 5 horas à meia-noite. Os ônibus com ponto final em Jurujuba retornarão da Alameda Marechal Pessoal Leal (Forte do Rio Branco) durante o período de interdição.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *