Problemas nas escolas de SG vão parar no Ministério Público

Raquel Morais –

O ensino público de São Gonçalo está no foco das discussões do Sindicato dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ). Nos próximos dias, a direção do órgão enviará um ofício para o Ministério Público estadual (MPRJ) e para a Prefeitura de São Gonçalo cobrando esclarecimentos e agilidade sobre as obras na Escola Municipal São Miguel, na Rua Manoel Pinheiro, que estão sendo tocadas há mais de dois anos. Outras questões, como rodízio de ar-condicionado, irregularidade na merenda e até mesmo risco de desabamento na Escola Municipalizada Bairro Almerinda também serão apontadas no documento.

Na Escola Municipal São Miguel as obras estão longe de serem finalizadas. Aparentemente, a estrutura já está toda erguida e, segundo informações do próprio Sepe, só restam ajustes na parte elétrica, hidráulica e pequenos reparos. Atualmente, as crianças que teriam que estudar nessa unidade se encontram em uma escola no bairro de Nova Cidade, onde a prefeitura aluga o espaço para as aulas.

A Secretaria Municipal de Educação informou que a obra da Escola Municipal São Miguel tem previsão de término em novembro deste ano. Ressaltou que a obra começou em 2012, em gestão anterior. Para que fosse retomada e concluída, o atual governo está investindo R$ 820 mil, conforme publicado em Diário Oficial, cumprindo o princípio da transparência. Atualmente, a escola funciona em um prédio alugado porque o antigo estava em péssimas condições, sujeito inclusive a alagamentos. A obra inclui a construção de oito salas de aula, área administrativa, uma cozinha, uma despensa, um refeitório, dois banheiros, um laboratório de informática, uma biblioteca, uma sala de professores, área de recreação coberta, dois vestiários (subsolo). A escola é destinada ao 1º segmento (1º ao 5º ano) do Ensino Fundamental, tendo cerca de 200 alunos matriculados.
Nas escolas municipais Florisbela Maria Nunes Haase, no Boa Vista, e Maria Dias, no Porto Novo, os problemas elétricos também prejudicam o ensino. Nessas unidades, os aparelhos novos de ar-condicionado funcionam através de rodízio. “Apesar de terem aparelhos novos de ar eles funcionam através de rodízio, pois a carga elétrica não suporta e a Secretaria de Educação não resolve o problema”, contou a diretora do Sepe-SG, Michele Alvarenga.

“Ainda bem que estamos no inverno. No calor é insuportável ficar dentro da sala de aula. É difícil concentrar na aula suando, escrever com o braço molhado é horrível. A gente fica louco para acabar a aula logo”, contou um aluno que não quis se identificar.

A diretora do Sepe-RJ, Beatriz Lugão, comentou essas questões. “Vamos cobrar mais uma vez do poder público esses problemas. O problema da climatização é antigo e estamos cobrando sempre. No governo passado já tinha um processo de licitação e até hoje não tem esse processo fechado. A situação da merenda também estima atenção e temos registros de irregularidade de cardápios que não seguem as orientações do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundeb). Sempre estamos cobrando essas melhorias para a educação pública do município”, frisou.

ESCOLA NO BAIRRO ALMERINDA
A Escola Municipalizada Bairro Almerinda está com risco de desabamento, além das instalações elétricas estarem péssimas. Em algumas paredes ocorre descarga elétrica e os alunos levam choques. Do teto de algumas salas caem escombros no chão, os banheiros não suportam o peso de muitas crianças ao mesmo tempo. Os responsáveis também apontam que o refeitório está interditado e as refeições não estão sendo servidas. “As paredes dão choques e isso é um perigo para as crianças. Já foi pedido para o MPRJ um apoio nessa causa, pois a ajuda de um órgão desse dá um peso para a denúncia. A situação está muito ruim e está oferecendo risco para as crianças e professores. No governo passado foi feita uma obra nessa escola e mesmo assim está precária a situação”, finalizou Lugão.

A Prefeitura de São Gonçalo foi questionada sobre esses problemas e informou que ainda esse mês será licitada a empresa que ficará responsável pela manutenção de todas as escolas da rede. A escola do bairro Almerinda terá suas condições estruturais revisadas também.

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