Problemas de saúde afetam policiais militares

Raquel Morais –

A proximidade do lançamento do documentário “Heróis do Rio de Janeiro”, que trata da situação de policiais militares feridos durante o trabalho, chama atenção para os riscos que esses profissionais enfrentam; além das doenças que mais acometem a categoria. Dados da Associação de Ativos, Inativos, Pensionistas das Polícias Militares, Brigadas Militares e Corpos de Bombeiros Militares do Brasil (Assinap) apontam que o excesso de trabalho, sucateamento de materiais básicos como viaturas e de equipamentos de proteção individual e aumento da criminalidade maximizam o desenvolvimento de doenças, entre elas psicológicas e psiquiátricas.

O presidente da Assinap, o policial reformado Miguel Cordeiro, explicou que cerca de dois mil policiais militares estão em tratamento, sendo 99% por ‘doenças da mente’. “Esse é um número alto que é preocupante. Esses tratamentos podem ser feitos pelo próprio atendimento no hospital da polícia, mas sua maioria procura tratamento particular. Não é de interesse público terceirizar um atendimento no hospital e muitos deles nem se sentem seguros para contarem toda a verdade e problemas que enfrentam”, explicou.

O comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar de Niterói (BPM-Niterói), Sylvio Guerra, frisou outras questões que vão além de problemas psicológicos. Doenças ortopédicas também estão no topo desse ranking. “Esses militares são encaminhados para uma junta médica e depois para uma avaliação com a determinação do tratamento. Às vezes tiramos o profissional da rua e colocamos no setor administrativo. Até ser afastado existem muitas linhas que podem ser tratadas e trabalhadas para evitar o afastamento desse policial. As questões ortopédicas são decorrentes pelo excesso de peso que carregam e até mesmo das atividades físicas”, contou o coronel.

Uma publicação da Agência Pública (https://apublica.org/) apontou que um grupo de psicólogos da PM do Rio de Janeiro, com pesquisadores do Grupo de Estudo e Pesquisa em Suicídio e Prevenção (GEPeSP) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), investigou o assunto através de uma pesquisa realizada entre 2010 e 2012. No Rio os PMs têm quatro vezes mais chances de cometer suicídio em comparação à população civil. Os resultados do estudo foram publicados em 2016 no livro “Por que policiais se matam?”, coordenado pela pós-doutora em sociologia Dayse Miranda. Entre os problemas apontados estão a dificuldade de pedir ajuda e a forma como são tratados na corporação quando adoecem.

Além das questões trabalhistas, a mudança no armamento da criminalidade com poder bélico cada vez maior, e o medo da morte, já que os PMs viraram alvo dos bandidos, também propiciam o aumento das doenças. “É importante equilibrar a conta entre a cobrança que está sendo feita para a PM, que missões a PM está se dispondo a cumprir e os meios que a PM tem hoje de cumprir essa missão”, esclareceu Fernando Derenuson, tenente-coronel psicólogo em depoimento no documentário. O curta “Heróis do Rio de Janeiro”, de Mia Carvalho e André Cahn, será lançado dia 13 de maio na Barra da Tijuca.

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