Presidente da Anvisa confirma reunião para mudar bula da Cloroquina

Antonio Barras Torres, presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), confirmou que houve uma reunião, no Palácio do Planalto, para discutir a mudança na bula da cloroquina no ano passado. A afirmação foi feita durante seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia realizado ontem (11). A revelação confirmou a informação revelada pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que prestou depoimento na última semana.

Contudo, Barra Torres não soube dizer quem seria o autor da ideia de mudar a prescrição do medicamento, mas se lembra da presença do general Braga Netto, ministro da Casa Civil à época, a médica Nise Yamaguchi, além do próprio Mandetta. Segundo ele, Yamaguchi era a principal defensora da proposta, a qual ele negou.

“Esse documento foi comentado pela doutora Nise Yamaguchi, que provocou uma reação um pouco deselegante minha, de dizer que aquilo não poderia ser. Só quem pode modificar uma bula de medicamento registrado é a agência reguladora do país, desde que solicitado pelo detentor do produto”, explicou Barra Torres.

O médico teve que explicar porque a Anvisa não autorizou ouso das vacinas Covaxin e Sputnik V. Ele explicou que a instituição não faz testes de laboratório com as doses, mas analisa a documentação apresentada pelas empresas que produzem o imunizante.

“A autorização de uso emergencial Sputnik V encontra-se nesse momento em análise na agência através da assumição de documentos da empresa União Química. Hoje estamos no momento em que essa análise encontra-se parada para que a União Química forneça essas informações (…) tão logo eles apresentam a análise será feita e o nosso posicionamento será firmado”, alegando que a negativa não se trata de uma afirmação final sobre o tema, mas que faz parte do processo.

Comissão deve chegar a estados e municípios

O presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz (PSD-AM), garantiu ontem aos senadores governistas que aguarda o envio de mais documentos para que estados e prefeituras sejam mais focalizados. Ele acrescentou que diversas secretarias estaduais, às quais já foram solicitados documentos a respeito da aplicação de recursos federais repassados, têm pedido mais de cinco dias para enviar as informações.

“Não adianta o cara chegar aqui e dizer que recebeu R$ 400 milhões e gastou R$ 400 milhões, sem dizer em que, tanto estados quanto municípios. Quando os dados chegarem, vamos chamá-los. Vamos dizer ‘olha, o governo tal pegou esse dinheiro, e gastou de forma indevida’ baseados em fatos concretos”, explicou.

Para o presidente da CPI, o colegiado tem seguido um rumo natural nas investigações. Ele entende que primeiro é preciso ouvir todos os ministros da Saúde desde o início da pandemia, processo que será encerrado no dia 19, com o depoimento de ex-ministro Eduardo Pazuello. Após encerrado esse processo, e com a documentação que chega dos estados, o uso dos recursos repassados pelo governo federal para governos estaduais e prefeituras também será abordado pela CPI.

Marcelo Almeida

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